Heitor enterrou o rosto no pescoço de Patrícia, depositando beijos constantes em seus pontos mais sensíveis:
— Vamos tentar de novo, só mais uma vez. Por favor? Se você não gostar, a gente para.
Enquanto falava, Heitor desabotoava a camisa, seus movimentos carregados de urgência.
— Não me rejeite. — A voz dele, rouca e próxima de um sussurro, parecia um gemido cheio de angústia. — Pelo menos, não me rejeite com tanta força!
Dessa vez, Heitor não estava com sua habitual frieza. Ele parecia uma chama viva, ardente, intensa. Cada toque dele fazia Patrícia sentir como se fosse derreter.
A palma da mão dela encontrou o peito dele, quente como um braseiro, mas seu próprio corpo tremia. A respiração de Patrícia estava descompassada, provocada pela proximidade dele.
O rosto de Heitor estava levemente avermelhado, como se tivesse bebido, mas era desejo que transbordava dele. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que parecia quase selvagem, as pupilas dilatadas. Os cílios longos e espessos destacavam a expressão de pura necessidade em seu rosto.
Essa cena invadiu a mente de Patrícia como uma lembrança dolorosa. Era o mesmo olhar que ele tinha no rosto da primeira vez que fizeram amor. Naquela época, ela acreditava que aquele desejo dele era amor. Mas logo ele a traiu, destruindo qualquer ilusão que ela pudesse ter.
— Nem importa se você não me ama. Não quero mais nada, só quero ver sua reação...
As palavras de Heitor reverberaram no coração de Patrícia, como se ele estivesse girando um redemoinho dentro dela.
Dentro de si, Patrícia gritava para rejeitá-lo, para afastá-lo. Mas, ainda assim, seu corpo parecia ignorar sua mente e cedia lentamente à proximidade dele. Sua racionalidade dava os últimos alertas, como se estivesse gritando que aquilo era perigoso.
— Patrícia...
Heitor continuava beijando-a com carinho, sem dar espaço para que ela reagisse.
E então, Patrícia perdeu completamente o controle. Toda a lógica e resistência se desfizeram.
Quando Heitor estava prestes a tomar posse dela, o celular dele tocou.
Pelo canto do olho, Patrícia viu o nome [Tábata] brilhando na tela. Foi como se um balde de água gelada tivesse sido despejado sobre ela.
Heitor pegou o celular, mas não tentou esconder nada. Ele atendeu a ligação ali mesmo, com o corpo ainda sobre Patrícia.
— Heitor, onde você está? — A voz frágil e melosa de Tábata ecoou pelo quarto. — Eu acordei e não te vi. Fiquei com tanto medo... Por favor, vem para cá. Eu não consigo comer nada, estou tão triste!
O nojo subiu instantaneamente pela garganta de Patrícia. Ela sentiu um impulso irresistível de vomitar. Em um momento de puro sarcasmo, ela decidiu imitar o tom de voz de Tábata, carregado de falsa doçura:
— Amor, você já tirou toda a minha roupa. Por que está demorando tanto? Eu quero tanto você...
Do outro lado da linha, o silêncio foi absoluto, como se o tempo tivesse parado.
— Não peça desculpas para mim. Eu deveria agradecer a ela. Se não fosse a ligação dela, eu talvez tivesse esquecido que você já não é meu marido. E, se eu quiser brincar com homens, pelo menos vou procurar algo mais novo e interessante.
O rosto de Heitor endureceu instantaneamente. Ele não conseguiu esconder a fúria que crescia dentro dele. A ideia de Patrícia com outro homem, especialmente Marcelo, o corroía por dentro.
Sem uma palavra, ele agarrou Patrícia pela mão e a puxou para fora da cama com força:
— Você vem comigo!
Patrícia ficou atônita:
— Vai me levar para cuidar da sua amante? Quer que eu sirva café para ela?
— Já te disse que não tenho nada com ela! — Ele gritou, sua voz ecoando pelo quarto.
Sem dar ouvidos a qualquer protesto, Heitor arrastou Patrícia para fora do quarto. Quando chegaram à garagem, ele abriu a porta do carro e praticamente a empurrou para dentro:
— Você não vai sair da minha vista.
Patrícia o encarou, perplexa. Ela não entendia o que ele estava tentando fazer, nem por que ele estava agindo daquele jeito.

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