Tábata tinha decidido ir até o fim. Além de provocar Marcelo com palavras, ela chegou a exibir, sem pudor, partes do corpo que costumava esconder. Na cabeça dela, um homem puro como ele não resistiria.
Sentada na mesa dele, balançando as pernas brancas, ela ria alto, toda cheia de si:
— Não me manda embora. O que eu vou te contar agora é muito, muito importante. Se você não ouvir, vai se arrepender.
Marcelo se sentiu ofendido pela maneira vulgar como ela se expunha. Ele segurou a irritação. Qualquer outra mulher, ele já teria mandado sair dali para nunca mais voltar. Ele odiava mulheres que se jogavam dessa forma, oferecendo o corpo como isca.
Ele franziu a testa:
— Desce.
A voz não foi alta, mas tinha um peso que gelava o ar.
Tábata sentiu um arrepio. Sabia que ele não era violento como Ivo, mas havia algo na calma dele que parecia ainda mais perigoso.
Ela escorregou da mesa e ficou de pé, encostando levemente o quadril na borda, tentando retomar o controle da situação:
— Você gosta da Patrícia. Eu amo o Heitor. A gente devia trabalhar junto. Ajudar um ao outro a separar esses dois. Assim você tem chance com a Patrícia, em vez de ficar só olhando os dois dormirem juntinhos.
Um traço de deboche passou pelo olhar de Marcelo:
— Era isso que você tinha pra dizer?
Tábata ergueu o queixo:
— Claro. Eu não aguento ver os dois daquele jeito. A Patrícia te deixa em banho‑maria, mas passa as noites com o Heitor no hotel. Enquanto você tava velando o pai dela no hospital, ela tava deitada debaixo de Heitor, transando.
Ela observou a reação dele, esperando o estalo de raiva. Ficou surpresa quando Marcelo não explodiu. Ele parecia ouvir a história como quem fala de desconhecidos.
Só no fim ele reagiu: um sorriso gelado, quase imperceptível, apareceu no canto da boca.



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