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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 212

Na noite anterior, quando Heitor tinha ouvido que Tábata havia sido estuprada por vários homens, ele mesmo tinha estranhado a própria reação. Qualquer desconhecido, ao escutar uma notícia dessas, sentiria pelo menos um tranco de pena ou revolta. Ele, não. Ele não tinha sentido nem sombra de emoção.

Mas, assim que ele ouviu Hana dizer que ia acertar as contas com Marcelo, ele sentiu um certo prazer maldoso. Até o tom de voz dele ficou carregado de ironia.

— Ontem a Tábata foi encontrar o Marcelo. Assim que ela saiu de lá, ele a drogou. — Hana falou entre soluços. — Depois levaram ela pra um bar e largaram a Tábata dentro do banheiro masculino.

Patrícia ficou em choque. Ela não acreditava que aquilo pudesse ter qualquer ligação com Marcelo.

Já Heitor, que sempre implicara com Marcelo, deixou o ranço transparecer:

— Olha só… então ele é doente desse jeito? Vocês já foram na delegacia?

— O Marcelo nunca faria uma coisa dessas. — Afirmou Patrícia.

— E como é que você tem tanta certeza? — Heitor rebateu. — Você acha mesmo que ele não seria capaz de atacar a Tábata por sua causa? Ele só parece certinho na superfície. Por dentro, ele é bem mais perturbado do que mostra.

Heitor se lembrava claramente da conversa em que Marcelo tinha sugerido que eles levassem Tábata para uma casa afastada, para "criar" ela lá dentro. Ele tinha falado, com toda calma, que seria "interessante" trancar uma mulher que adorava destruir famílias e ir quebrando-a aos poucos, torturando devagar.

Quando Hana dizia que Marcelo tinha arrumado tudo para que Tábata fosse jogada num banheiro de bar para ser violentada por vários homens, Heitor não via aquilo como totalmente impossível.

Patrícia, ao contrário, ficava cada vez mais incomodada com Heitor. Ela achava que ele estava fazendo acusações sem qualquer base. E, vindo de alguém como Hana que quase nunca dizia uma verdade inteira, aquilo parecia ainda mais frágil.

Sem contar o tanto que Marcelo já tinha ajudado os dois. Por justiça mínima, Heitor não deveria falar daquele jeito.

O rosto de Patrícia se fechou:

— Ficar falando esse tipo de coisa pelas costas é de uma falta de caráter enorme, Heitor.

— Que tipo de coisa eu falei? — Ele devolveu.

— Você tá atacando o caráter dele. — Ela explicou. — Tá dizendo que ele é falso, que é uma pessoa com você e outra comigo, sem ter prova de nada.

— "Sem prova" coisa nenhuma. — Heitor resmungou. — Ele sempre foi duas caras, Patrícia. Ele sabe se mascarar direitinho. Na sua frente, ele é quase um santo, e comigo, é outra pessoa. Ele já usou um médico pra me chantagear, e ainda veio com uma exigência bem específica: queria que eu entregasse a Tábata pra ele prender, torturar, fazer o que tivesse vontade. Isso antes de qualquer coisa que tenha acontecido agora. Ele já vinha ruminando essa ideia faz tempo.

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