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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 228

As mãos grandes de Heitor passeavam sem rumo certo pelo corpo dela.

— Hm… não… para…

Patrícia segurou a mão dele. A súplica nervosa, na cabeça dele, soou mais como um convite manhoso entre homem e mulher do que como um pedido sério para que ele parasse.

Até que, de repente, Patrícia o empurrou com força.

Heitor se afastou no mesmo instante, soltando-a de propósito. Com a força que ele tinha, aquele empurrão não teria feito nem cócegas, mas ele recuou, cuidadoso, e fitou Patrícia:

— Eu só queria te beijar um pouco, nada além disso.

Patrícia admitia para si mesma que adorava os beijos dele, mas, por algum motivo, tinha acabado afastando o corpo.

Por dentro, ela estava em conflito.

Ela tinha passado o dia sofrendo com o estado do pai. Em momentos assim, ela sentia culpa por aproveitar o amor de Heitor. Ao mesmo tempo, ela queria engravidar logo.

Heitor se levantou devagar do sofá e pegou a tigela em cima da mesinha de centro:

— Você quer tomar um pouco do chá de canela? Eu pedi pra colocarem mel.

Ele encheu a colher e aproximou, com delicadeza, dos lábios dela.

Patrícia tomou um gole. Apesar daquele gostinho estranho do chá, o mel era forte, deixando tudo doce e agradável.

Depois de tomar o chá, Patrícia descansou alguns minutos e entrou no banheiro para tomar banho.

Ela sabia que não podia continuar presa naquele paradoxo. Não fazia sentido cobrar de Heitor que ele a ajudasse a engravidar logo e, ao mesmo tempo, por causa do próprio estado emocional, negar vez após vez qualquer aproximação mais íntima.

Patrícia se fez uma pergunta séria:

"Você quer mesmo transar com ele? O Heitor é lindo, tem um corpo absurdo. Do que você ainda tem medo? Ele diz que a iniciativa é toda dele, mas, na verdade, ele tá só poupando o seu orgulho. Foi você quem pediu pra engravidar rápido. De qualquer forma vocês vão ter um filho. Entre marido e mulher, isso ia acontecer cedo ou tarde, não ia?"

Uma enxurrada de argumentos veio em forma de autoajuda. Além disso, Heitor era ótimo na cama, e sempre que se amavam, era ele que se dedicava a agradar ela, paciente.

Talvez fosse hora de parar de pensar em tudo e, simplesmente, aproveitar.

Patrícia tomou uma decisão. Ela desabotoou o terceiro botão da blusa, deixando à mostra a pele branca da clavícula, e puxou o tecido com um pouco de nervosismo, tentando se acostumar com a própria imagem.

Dizendo isso, ele se virou e saiu rápido.

Patrícia pensou que ele tinha ficado frustrado, magoado. Mas Heitor voltou quase imediatamente com um pacote na mão:

— Vai que você não achava. Eu trouxe pra você.

Ela pegou o pacote de absorventes, foi ao banheiro resolver tudo, e, quando voltou, Heitor já tinha tomado outro banho, dessa vez gelado. Os dois se deitaram na cama.

Heitor ficou um tempo esticado, reto, até o corpo esquentar. Então, ele passou o braço em volta dela e a trouxe para junto do peito. A cabeça dela se encaixou na curva do pescoço dele, e, em algum momento, a mão grande já tinha escorregado até a cintura de Patrícia.

Ele fazia carícias lentas na barriga dela, num gesto protetor.

A mão pequena de Patrícia acabou encontrando um lugar certo, repousando em volta do pescoço dele. Não demorou para que o sono a vencesse.

Heitor, porém, não dormiu. Ele ficou ali, aspirando o cheiro do cabelo dela, viciante como um perfume caro. Na cabeça dele, os cálculos eram simples: o ciclo de Patrícia durava cinco dias. Era só aguentar cinco dias. Cinco dias, e pronto.

De repente, o celular dele vibrou.

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