As mãos grandes de Heitor passeavam sem rumo certo pelo corpo dela.
— Hm… não… para…
Patrícia segurou a mão dele. A súplica nervosa, na cabeça dele, soou mais como um convite manhoso entre homem e mulher do que como um pedido sério para que ele parasse.
Até que, de repente, Patrícia o empurrou com força.
Heitor se afastou no mesmo instante, soltando-a de propósito. Com a força que ele tinha, aquele empurrão não teria feito nem cócegas, mas ele recuou, cuidadoso, e fitou Patrícia:
— Eu só queria te beijar um pouco, nada além disso.
Patrícia admitia para si mesma que adorava os beijos dele, mas, por algum motivo, tinha acabado afastando o corpo.
Por dentro, ela estava em conflito.
Ela tinha passado o dia sofrendo com o estado do pai. Em momentos assim, ela sentia culpa por aproveitar o amor de Heitor. Ao mesmo tempo, ela queria engravidar logo.
Heitor se levantou devagar do sofá e pegou a tigela em cima da mesinha de centro:
— Você quer tomar um pouco do chá de canela? Eu pedi pra colocarem mel.
Ele encheu a colher e aproximou, com delicadeza, dos lábios dela.
Patrícia tomou um gole. Apesar daquele gostinho estranho do chá, o mel era forte, deixando tudo doce e agradável.
Depois de tomar o chá, Patrícia descansou alguns minutos e entrou no banheiro para tomar banho.
Ela sabia que não podia continuar presa naquele paradoxo. Não fazia sentido cobrar de Heitor que ele a ajudasse a engravidar logo e, ao mesmo tempo, por causa do próprio estado emocional, negar vez após vez qualquer aproximação mais íntima.
Patrícia se fez uma pergunta séria:
"Você quer mesmo transar com ele? O Heitor é lindo, tem um corpo absurdo. Do que você ainda tem medo? Ele diz que a iniciativa é toda dele, mas, na verdade, ele tá só poupando o seu orgulho. Foi você quem pediu pra engravidar rápido. De qualquer forma vocês vão ter um filho. Entre marido e mulher, isso ia acontecer cedo ou tarde, não ia?"
Uma enxurrada de argumentos veio em forma de autoajuda. Além disso, Heitor era ótimo na cama, e sempre que se amavam, era ele que se dedicava a agradar ela, paciente.
Talvez fosse hora de parar de pensar em tudo e, simplesmente, aproveitar.
Patrícia tomou uma decisão. Ela desabotoou o terceiro botão da blusa, deixando à mostra a pele branca da clavícula, e puxou o tecido com um pouco de nervosismo, tentando se acostumar com a própria imagem.

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