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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 63

A proposta de atender às condições havia partido de Heitor, mas foi ele mesmo quem levou as negociações a um impasse.

Marcelo estreitou os olhos, que se encheram de frieza:

— Se os senhores ainda têm dúvidas, podemos esperar.

Ele sabia que o Grupo Mendes não conseguia se dar ao luxo de esperar. Cada dia de atraso representava um risco imenso para a empresa.

Burns lançou um olhar significativo para Heitor, sugerindo que eles precisavam conversar em particular.

Do lado de fora do restaurante, Burns acendeu um charuto. Ele deu uma longa tragada antes de perguntar:

— Por que não aceitar? Desde que não demos a ela poder real, um cargo de vice-presidente para ela brincar por alguns dias não vai fazer diferença. Do que você tem medo?

Heitor, no entanto, não estava preocupado com o cargo ou o poder de Patrícia dentro do grupo. O que o incomodava profundamente era a possibilidade de ter que voltar ao Brasil para liderar o grupo de lá, enquanto Patrícia permaneceria no exterior. Ele não suportava a ideia de uma separação.

Ele sabia que tudo aquilo fazia parte do plano de Patrícia. Ela queria puni-lo. Ou pior: estava preparando o terreno para que o divórcio fosse inevitável.

E havia algo que Heitor não tinha coragem de admitir, um pensamento que o atormentava a ponto de quase o destruir: talvez Patrícia estivesse fazendo tudo isso para ficar com Marcelo.

Heitor sentia-se à beira do colapso. Ele não conseguia entender como as coisas haviam chegado a esse ponto. Ele já havia mandado Tábata para longe, feito questão de passar todos os dias ao lado de Patrícia, mas, mesmo assim, ela continuava sendo cruel com ele.

— Me dá um charuto. — Pediu Heitor.

Burns se surpreendeu. Ele já havia oferecido cigarros a Heitor antes, mas este recusara, dizendo que havia parado de fumar há muito tempo. Mesmo assim, Burns entregou um charuto a ele, intrigado com a mudança de atitude.

Heitor acendeu o charuto, e a fumaça branca subiu lentamente, desenhando linhas suaves que contrastavam com seu rosto tenso. Mas, por mais que fumasse, ele não conseguia se acalmar.

O que ele deveria fazer? Ele não queria que Patrícia desenvolvesse sua carreira ali, mesmo achando que ela não teria grande sucesso fora do campo do design. Mas a questão não era apenas profissional. Heitor temia que Patrícia pudesse desenvolver um relacionamento extraconjugal. E, acima de tudo, ele temia que esse relacionamento fosse com Marcelo.

De repente, Heitor quebrou o silêncio:

— Se sua esposa quisesse se separar de você, o que você faria?

Burns deu uma risada leve:

Heitor declarou:

— As condições que vocês apresentaram precisam passar pela aprovação do conselho amanhã.

Burns, por outro lado, foi mais direto:

— Não vejo nenhum problema com o que foi solicitado. Mas precisamos ver o produto real. Vocês trouxeram um protótipo do Cavaleiro Negro?

Marcelo assentiu e tirou do bolso uma pequena caixa. Ele a abriu, revelando um anel. Era uma peça autêntica do Cavaleiro Negro.

Heitor reconheceu imediatamente que aquele anel era completamente diferente dos protótipos descartados anteriormente.

A peça tinha um design sofisticado. No ponto de interseção das formas, uma pequena pedra de diamante brilhava intensamente, revelando um jogo de luz que parecia ativar uma fonte de energia interna. O diamante parecia pulsar, como se emitisse um brilho próprio, perfeitamente integrado ao formato de duas espadas cruzadas, esculpidas com precisão no metal.

O design evocava a imagem de uma batalha épica, onde dois líderes rivais brandiam suas espadas, e o impacto entre as lâminas produzia faíscas brilhantes, como o próprio anel sugeria.

Embora o diamante fosse pequeno e não tivesse grande valor como peça de coleção, o design transformava a pedra em algo extraordinário. A forma como o anel capturava e refletia a luz dava vida ao interior do diamante, tornando-o uma peça incrivelmente impactante e única.

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