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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 65

Patrícia, preocupada que os óculos de Marcelo pudessem machucá-lo enquanto ele estava desacordado, retirou-os cuidadosamente.

Ela inclinou levemente a cabeça e o observou.

Os traços de Marcelo eram marcantes e profundos. Sem os óculos, a seriedade contida e a frieza que frequentemente o acompanhavam diminuíram consideravelmente, revelando algo mais suave, quase juvenil.

Aquilo a fez lembrar do passado, de quando o encontrava sem querer nas idas e vindas da escola. Ele usava um uniforme preto e branco impecável, com uma mochila preta pendurada casualmente em um dos ombros.

Os olhos de Marcelo eram incrivelmente bonitos. Mesmo fechados, as pálpebras formavam um arco natural, os cílios eram longos e densos, e a pele ao redor dos olhos tinha um leve tom avermelhado, dando a ele uma aparência quase etérea, como se estivesse envolto em um véu de embriaguez.

O carro finalmente chegou ao condomínio de luxo da família Campos. Assim que o veículo parou em frente à mansão, Patrícia tocou suavemente no braço de Marcelo para acordá-lo:

— Dr. Marcelo, o senhor consegue andar?

Ele não respondeu.

Patrícia estendeu a mão para sacudi-lo, mas, de repente, a mão de Marcelo pousou sobre o ombro dela.

Ela suspirou. Marcelo claramente não tinha resistência para álcool. Ele estava tão bêbado que nem sabia quem estava ao lado dele.

Felizmente, Patrícia tinha experiência em cuidar de pessoas bêbadas. Ela tentou encorajá-lo com um tom suave:

— Dr. Marcelo, chegamos em casa! Vamos, levante-se.

Enquanto falava, ela o ajudava a se levantar, puxando-o gentilmente.

Quando desceram do carro, o motorista se aproximou para ajudar, mas Marcelo levantou a mão, fazendo um gesto claro para que ninguém interferisse. O motorista entendeu imediatamente e foi avisar os outros funcionários da casa para não se envolverem.

Patrícia continuou apoiando Marcelo. Apesar do peso do corpo inclinado dele sobre o ombro dela, não era tão difícil quanto imaginava.

Marcelo, por sua vez, deixou o rosto repousar ligeiramente contra os cabelos de Patrícia. O perfume que emanava de seus fios era suave, hipnotizante, quase como uma provocação silenciosa. Despertava um desejo de se perder naquele aroma, de descobrir mais, de mergulhar profundamente.

Enquanto isso, a mente de Marcelo vagava. Ele se lembrou de uma conversa que tivera com Theo há pouco tempo durante o jantar de família.

“Primo, você está interessado na Patrícia, não é?” Theo havia perguntado diretamente, puxando-o para um canto durante um jantar de família.

Naquele dia, Marcelo havia falado mais do que o habitual. Para alguém tão reservado, isso já era suficiente para chamar atenção.

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