Patrícia manteve o rosto inalterado:
— Sou acionista, participar da gestão da sede é perfeitamente normal, não acha?
Heitor não negou:
— Sim, é normal. Mas você deveria ter pedido a minha permissão antes. Eu sou o seu marido.
Patrícia soltou uma risada irônica, respondendo com sarcasmo:
— Eu não preciso da permissão de um marido que apoia a carreira da amante.
— Você não precisa de mim? — Heitor nem esperou ela terminar a frase e já explodiu. Seus olhos fixaram-se nos dela, enquanto ele soltava uma risada fria e amarga, que parecia vir do fundo da garganta. — Ontem à noite você não parecia pensar assim. Eu senti claramente o quanto você precisava de mim, porque seu jeito de gemer dizia tudo.
Patrícia revirou os olhos, irritada com o comentário dele:
— E você acha que não precisava mais de mim?
Ela o encarou diretamente, com um olhar firme que fez Heitor desviar os olhos, desconfortável.
— Suas expressões foram muito mais intensas que as minhas. — Continuou Patrícia, com um tom cortante. — O som que você fazia... Como você consegue fazer aquilo? Talvez devêssemos te contratar para dublar esses animes que passam no pornhub.
— Você...! — Heitor ficou visivelmente incomodado, mas, poucos segundos depois, acabou soltando uma risada. — Sim, nós dois precisamos um do outro. Eu sabia! Eu sabia que somos almas gêmeas. Nossos corpos, nossas almas... são feitos um para o outro.
Patrícia ficou confusa com o que ele dizia, cheia de interrogações na cabeça, mas preferiu não responder.
Percebendo que a conversa começava a se desgastar, Heitor decidiu mudar de abordagem:
— Me diz o que você quer. Se for isso que você quer, você pode ser parte da gestão, mas precisa ser dentro do grupo, no Brasil.
No fundo, Heitor não tinha problemas com o fato de Patrícia querer sair do design e assumir um cargo executivo. O que o incomodava era a insistência dela em ficar em outro país, longe dele.
Mas Patrícia tinha seus próprios objetivos. Ela queria consolidar sua posição no exterior para atacar Hana e Tábata, eliminando-as do grupo e do círculo de poder.
Por isso, ela respondeu com firmeza:
— O que eu quero é ficar no exterior.
A paciência de Heitor chegou ao limite. Ele bateu com força na mesa, sua voz carregada de raiva:
— Eu fiz de tudo para encontrar alguém qualificado para cuidar da divisão internacional, só para poder voltar ao Brasil e ficar ao seu lado. Você não precisa trabalhar! Pode ficar em casa, relaxar e brincar. Podemos começar a planejar nossos filhos, ter um monte de crianças lindas...

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