Os olhos de Hana se arregalaram, e a expressão de seu rosto ficou feroz:
— Se você continuar me acusando, vou chamar um advogado agora mesmo!
Heitor, com calma, pegou o celular e mostrou a ela as provas. Ele havia conseguido um vídeo que Augusto, astutamente, gravou do momento em que ela o subornou.
Por um breve instante, os olhos de Hana revelaram pânico, mas, rapidamente, ela recuperou a compostura e respondeu:
— E daí? Eu sou uma acionista e membro do conselho. Só quis verificar, por intermédio dele, se você estava administrando o Grupo Mendes com responsabilidade. Isso não prova nada.
Heitor lançou-lhe um olhar frio e respondeu:
— Você é mesmo teimosa, não é? Não precisa se preocupar com advogado. Basta eu enviar essas provas para o advogado da minha esposa, e a polícia virá até você.
Hana desabou. Seu rosto ficou pálido como papel, e seu corpo começou a tremer. Ela sabia que, se Rui descobrisse que fora ela quem havia planejado o ataque que destruiu as mãos de Patrícia, as consequências seriam desastrosas.
Hana fechou a porta e, com as mãos trêmulas, acendeu um cigarro, dando uma longa tragada antes de ir direto ao ponto:
— Diga um valor.
Heitor arqueou uma sobrancelha e perguntou:
— Você acha que eu quero dinheiro?
Como presidente do Grupo Mendes, Heitor não se importava com dinheiro.
Hana, no entanto, insistiu:
— Eu só fiz isso por causa da Tábata. Ela sofreu tanto! Você sabe que Patrícia vive humilhando minha filha, fazendo ela passar vergonha. Eu odeio a Patrícia! Se não fosse por ela, você e a Tábata já estariam casados há muito tempo!
Heitor soltou uma risada baixa, carregada de desprezo:
— Eu nunca vou me casar com a Tábata.
Essas palavras, ditas com tanta firmeza, fizeram Hana tremer. O cigarro que ela segurava caiu no chão. Naquele momento, ela se lembrou de Rui. Ele dissera exatamente a mesma coisa para ela. Aquela frase era a ferida que nunca cicatrizou, a lembrança que a condenou para sempre ao papel de amante desprezada.
Patrícia era o primeiro amor de Heitor. Tábata não passava de um erro que ele cometeu na juventude.
Para ele, Tábata jamais poderia ser comparada a Patrícia. No entanto, Heitor sabia que não podia dizer isso. Seria cruel demais.
Após um momento de silêncio, Heitor falou:
— Tábata está perdendo tempo se apegando a mim. Isso não traz nenhum benefício para ela. Olhe o que aconteceu quando ela estava na escola de negócios. Ela não aprendeu nada. E agora, dentro do Grupo Mendes, ela só causa problemas. Se você realmente quer o bem dela, não deveria deixá-la alimentar esperanças em algo que nunca vai acontecer.
Hana abriu as mãos, como se estivesse desesperada, e retrucou:
— Você acha que isso foi escolha dela? Se você não tivesse feito aquela coisa horrível, ela nunca teria perdido o rumo!
As palavras de Hana saíram entrecortadas por soluços. Ela cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar descontroladamente, mal conseguindo respirar.
— Heitor, você estudou psicologia! Deveria saber que, naquela época, ela era apenas uma garota, ainda tentando entender a vida. E você... você a forçou! Ela sofreu tanto! A única forma que encontrou para lidar com isso foi tentar justificar o que aconteceu e convencer a si mesma de que estava apaixonada por você!

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