Quando Heitor e Hana chegaram ao hospital, Tábata estava sendo empurrada para fora da sala de emergência.
Tábata parecia extremamente frágil, magra e pálida, deitada na maca branca. Suas pernas finas como gravetos exibiam dois hematomas profundos e graves causados pelo ataque. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.
Assim que Tábata viu Heitor, ela começou a chorar, estendendo os braços em sua direção e clamando:
— Heitor, minhas pernas! Minhas pernas foram destruídas!
Heitor não se aproximou para abraçá-la e tentou tranquilizá-la:
— Você ainda é jovem. Seus ossos estão em fase de regeneração. Logo, você vai se recuperar.
— Não vou me recuperar! Eu vi, Heitor! Eu vi os pedaços do meu osso perfurarem a carne! Minha vida acabou! — Tábata gritava em desespero, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto soluçava de forma dolorosa.
Heitor olhou para Tábata, que chorava como se o mundo tivesse acabado. Mas, em sua mente, a imagem que surgia era a de Patrícia, com os dedos ensanguentados e mutilados.
Ele não conseguiu evitar a pergunta que ecoava em seus pensamentos:
“Será que Patrícia está bem?”
Por um momento, Heitor permaneceu imóvel, perdido em seus pensamentos. Mas, em seguida, ele pegou um lenço de papel e gentilmente enxugou as lágrimas de Tábata.
— Pare de chorar. Tente ser positiva.
— Heitor, me abraça! Por favor, me abraça! Estou com medo, preciso de você, só um abraço.
Heitor se lembrou do dia em que Tábata torceu o tornozelo e pediu a mesma coisa. Ele a abraçou, e esse momento acabou sendo flagrado por Patrícia, que usou a foto como prova de traição.
Cauteloso, Heitor evitou se aproximar dela. Ele mudou o foco da conversa e se dirigiu ao dono da loja de conveniência:
— Quem fez isso com ela? Onde está?
O homem, que parecia ter pouco mais de quarenta anos, respondeu, tentando se lembrar:
— Foi um homem italiano. Ele estava de moto, usando capacete. Quando percebi o que estava acontecendo, ele já tinha fugido.
A informação pegou Heitor de surpresa. Ele não esperava que o agressor fosse italiano. Ele sabia que Patrícia tinha conexões fortes na Itália e que, certamente, ela conhecia toda a história envolvendo Tábata e Vivian, que eram primas.
— Você queria que Tábata se afastasse de você, não é? Agora conseguiu. Ela não vai andar nunca mais!
— Não foi isso que eu quis dizer! — Heitor respondeu, visivelmente desconfortável. Ele refletiu por um momento antes de dizer. — Vou encontrar os melhores médicos para cuidar dela.
De repente, Hana disse:
— O médico responsável por Tábata comentou que só existe uma pessoa capaz de realizar a cirurgia e dar a ela uma chance de recuperação. É o Flávio, o melhor cirurgião ortopédico.
Heitor ficou surpreso com a coincidência. Mais uma vez, aquele nome.
Flávio era o mesmo médico que ele estava tentando contatar para tratar as mãos de Patrícia. Ele sabia que as lesões nos dedos de Patrícia eram extremamente complexas e que apenas Flávio tinha experiência suficiente para lidar com casos tão delicados.
Mas agora, as lesões de Tábata, que eram nas pernas, também precisavam do mesmo especialista? Seria coincidência ou algo a mais?
Mesmo com suas dúvidas, Heitor não teve outra escolha. Ele havia prometido a Hana que faria o melhor por Tábata, então apenas respondeu:
— Vou pegar o meu avião e trazer o Flávio para fazer a cirurgia.

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