— Por que não? — Marcelo abriu as mãos, com um sorriso provocador. — Patrícia é sua esposa desprezada, alguém com quem você nunca se importou de verdade. No seu coração, ela nunca chegou nem perto de Tábata. Trocar Patrícia por Tábata é um ótimo negócio para você.
Heitor ficou completamente atordoado. Ele já tinha percebido há algum tempo que Marcelo nutria sentimentos por Patrícia.
No entanto, Heitor acreditava que, por Marcelo ser advogado e odiar infidelidade, jamais admitiria abertamente que via Patrícia com outros olhos.
Mas ali estava ele, descarado e desafiador, confessando sem o menor pudor o que sentia por Patrícia:
— Para mim, Tábata fede mais que um rato morto em um esgoto. Mil Tábatas não valem nem a unha de um dedo de Patrícia. Patrícia merece ser cuidada e amada pelo resto da vida.
Cada palavra de Marcelo fazia o rosto de Heitor ficar mais sombrio.
Quando Marcelo terminou de falar, Heitor de repente sacou uma arma e apontou diretamente para ele.
O disparo veio quase que imediatamente, e o som da bala passando rente ao ouvido de Marcelo ecoou na sala.
Heitor segurava a arma com firmeza, seu rosto tomado por uma expressão sombria e ameaçadora, enquanto uma aura de loucura e violência pairava ao seu redor:
— Eu não sei o que você e Patrícia tiveram no passado, mas enquanto ela for minha esposa, se você ousar cortejá-la, eu não vou tolerar. Prefiro que morramos juntos.
Marcelo, no entanto, permaneceu surpreendentemente calmo. Seu rosto mal demonstrou qualquer reação, como se tivesse se tornado imune a situações extremas.
Ele sabia que Heitor tinha atirado de propósito para errar. Aquilo era apenas um aviso.
Marcelo fitou Heitor por um momento. Patrícia já havia comentado que Heitor tinha tendências imprevisíveis e explosivas, mas Marcelo jamais imaginou que ele fosse tão incapaz de controlar suas emoções.
Mas será que o surto de Heitor era apenas uma manifestação de ciúmes ou possessividade? Se Heitor realmente não se importasse com Patrícia, ele teria ficado tão fora de si a ponto de sacar uma arma? Heitor era, sem dúvida, uma criatura complexa.
— Pelo visto, você quer esgotar tudo o que Patrícia pode te oferecer, tanto emocional quanto comercialmente. Mesmo que você não a ame, não vai suportar que outro a ame, não é? — Marcelo balançou a cabeça, rindo. — Tudo bem. Nesse caso, eu quero Tábata.
Os olhos de Heitor se arregalaram, e suas pupilas tremeram de surpresa:
— Você quer Tábata?

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