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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 96

Tábata, com os olhos cheios de lágrimas e os lábios trêmulos, estendeu a mão para segurar a de Heitor. A agulha do soro ainda estava presa no dorso de sua mão, e sua aparência frágil e desamparada inspirava pena.

Hana rapidamente entrou na conversa:

— Heitor, fique com a Tábata por um tempo. Você já passou noites com ela antes. Ela acabou de perder as pernas. Sem você aqui, esse golpe será demais para ela suportar.

Se fosse em outros tempos, talvez Heitor acreditasse em Hana. Mas, há poucos minutos, ele havia ouvido a voz dela cheia de entusiasmo e satisfação. Aquela mulher não parecia nada com a figura de mãe aflita que agora ele tinha diante de si.

Heitor gentilmente retirou a mão, afastando-se do toque de Tábata, e respondeu:

— Se comporte, Tábata. Você tem sua mãe, que cuidou de você por vinte anos. Tenho certeza de que você será forte o suficiente para passar por isso.

O olhar de Heitor pousou em Hana. O nariz dela ainda estava inchado e vermelho, resultado do golpe que ele mesmo havia desferido. O sangue que escorrera antes havia feito os vasos se dilatarem, deixando-a com uma aparência ainda mais abatida.

Hana era uma mulher pequena e magra, com uma voz desagradável. Mas, por mais que suas lágrimas fossem abundantes, Heitor sabia que por trás delas havia uma mente manipuladora e perigosa. Ele nunca imaginou que ela fosse capaz de tamanha maldade. Desde três anos atrás, ela planejava cada movimento, desde infiltrar espiões até machucar Patrícia.

Tábata, no entanto, não desistiu:

— Heitor, você mudou. Você não era assim. Antes, quando eu fazia uma lavagem estomacal, você ficava comigo a noite toda. Agora, eu perdi as minhas pernas.

Ela começou a soluçar novamente, enquanto dizia:

— Heitor, já fazem seis anos... Desde que te conheci, há seis anos, todos os dias ao abrir os olhos, a primeira pessoa que eu queria ver era você. Mas o tempo que você me dedica tem diminuído mais e mais. Agora, tudo que eu vejo são os tetos frios do hospital.

Tábata implorou, com a voz carregada de tristeza:

— Heitor, fique comigo só essa noite.

Ela respirou fundo e continuou, com os olhos cheios de lágrimas:

— Eu não te culpo por não termos tido nosso filho. Ambos tínhamos nossos motivos. Mas agora, no momento mais baixo da minha vida, tudo que eu quero é que você fique ao meu lado.

Duas lágrimas escorreram lentamente pelo rosto de Tábata enquanto ela falava.

Heitor sentiu uma pontada de culpa. Toda vez que Tábata mencionava o bebê que perderam e como ele havia tirado dela a chance de ser mãe, ele sentia o peso da responsabilidade.

Tábata, com os braços trêmulos e fracos, abraçou a cintura de Heitor:

— Heitor, por favor, não seja tão cruel comigo. O amor que eu te dei nunca exigiu nada em troca. Eu nunca te culpei por nada. Só quero que você fique um pouco mais comigo. Já está tão tarde... Finja que é como aquelas vezes em que você ficava comigo durante as lavagens estomacais ou transfusões de sangue. Passe só essa noite aqui.

Heitor estava exausto. Já eram mais de duas da manhã, e ele havia trabalhado sem parar antes de vir ao hospital. Ele se sentia tão cansado que, se sentasse no sofá, provavelmente cairia no sono imediatamente.

Ele franziu as sobrancelhas, afastou suavemente os braços de Tábata de sua cintura e se levantou:

— Desculpe, Tábata, mas eu preciso ir. Tenho que ir até a Patrícia.

Os olhos de Tábata se arregalaram de incredulidade. Ela o encarou, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir. Com a voz rouca e trêmula, ela perguntou:

— Heitor... Eu estou assim, e mesmo assim você vai embora?

— Sim. E mais uma coisa: acho importante você saber que eu não voltarei a te visitar.

— O quê?

Os lábios de Tábata tremeram enquanto a surpresa e a dor tomavam conta de seu rosto.

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