Arnaldo usava um traje de gola alta preto, segurava a bengala com as duas mãos e estava no centro do santuário.
Otávio e Bento entraram juntos e chamaram "avô" em uníssono.
Antes que as palavras terminassem de ecoar, Arnaldo se virou e bateu a bengala com força no chão.
— Seus rapazes inúteis, ajoelhemse!
Os dois se olharam e, após trocarem olhares, não se ajoelharam de imediato.
Otávio deu um passo à frente.
— Avô, o que houve? Por que está tão bravo?
— O que houve? Vocês dois não sabem o que fizeram?
Os olhos raivosos de Arnaldo os encararam.
— Não pensem que não sei dos esquemas que vocês armam pelas costas. Não me importo com as intrigas de vocês, mas agora arrastaram toda a Família Moraes junto!
Bento também deu um passo à frente.
— É injustiça, avô. Está claro que alguém está tentando nos jogar uns contra os outros. Nós dois também estamos sofrendo com os boatos e sendo ridicularizados!
— E vocês têm coragem de dizer que a notícia sobre o Fernando não tem nada a ver com vocês? — Arnaldo perguntou.
Os dois ficaram em silêncio por um instante. Sem conseguirem responder, confirmaram sua culpa em poucos segundos.
Arnaldo levantou a bengala e acertou as costas dos dois com força.
— Eu já falei que uma família precisa agir como tal. Se vocês não fossem tão incompetentes e parassem de usar truques um contra o outro, eu nunca teria mandado o Fernando voltar. Vocês não vão parar até arruinarem a Família Moraes?
Otávio e Bento começaram a correr para escapar das pancadas e finalmente foram forçados a se ajoelhar na frente do santuário.
— Enquanto o escândalo da Família Moraes não desaparecer, vocês dois vão ficar ajoelhados aqui.
Por causa da idade, mesmo sem conseguir acertá-los direito e sem usar muita força, Arnaldo ficou ofegante de cansaço.
Ele caminhou cambaleando em direção à saída do santuário, e o mordomo correu para apoiá-lo.
— Senhor Arnaldo, o que eles disseram não deixa de ter sentido. Alguém está provocando confusão por trás.
Arnaldo bufou.
— Claro que eu sei, mas foram eles que começaram tudo, o que deu a oportunidade perfeita para essa pessoa atacar.
Quanto a quem estava provocando aquilo, ele já tinha um palpite.

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