Não...
— Foi você quem mandou a Mariana vir brigar comigo?
Henrique: — Você me culpa?
O tom de lamento do homem continha um toque de injustiça.
— Você não podia falar direito? Tinha que brigar, a avó e os outros ficaram muito preocupados.
Sabrina pensou na expressão preocupada da Velha Senhora Ramos de agora a pouco e sua cabeça doeu.
— A avó não se preocupa, ela consegue perceber.
Henrique pensou que Daniela também perceberia cedo ou tarde.
Quando aquela atmosfera no carro ainda não havia se dissipado, o som de uma buzina soou não muito longe.
O carro de Mariana parou na frente deles; ela desceu com Noriel no colo, foi direto até o lado do passageiro e bateu na janela.
Sabrina tentou abrir a porta do carro, mas Henrique apenas abaixou o vidro.
— Sério, não vai dar nem tempo de descer e trocar duas palavras?
Mariana ainda queria explicar a situação para Sabrina.
Tinha muito medo de que Sabrina achasse que ela estava com raiva de verdade.
— Coloque-o para dentro, nós temos coisas para fazer em casa.
Henrique sinalizou para Mariana colocar Noriel pela janela.
O menino já estava impaciente, agarrando a porta do carro com as duas mãos e se aproximando.
Sabrina o pegou: — Obrigada, Mariana.
— Sabrina, contanto que você não esteja com raiva de verdade, está bom; você deveria saber que eu, sendo tão generosa, jamais brigaria com você por algo tão pequeno, não é?
Mariana protegeu a cabeça de Noriel e, só depois de se certificar de que ele havia entrado completamente no carro, recolheu as mãos.
Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, o carro já mostrou sinais de avançar.
Mariana recuou instintivamente, abrindo espaço.
— Henrique, e o aumento de salário...
— Começa neste mês.
Do vidro que subia gradualmente, ouviram-se as poucas palavras que Henrique soltou.

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