Sabrina Batista trocou de roupa, colocando o pijama, e lançou um olhar de soslaio para a amiga.
— Se você tivesse reservado pelas minhas costas, eu teria brigado sério com você.
Oceana Reis fez um bico:— Aquela mulher que encontramos... já a vimos antes, não é? O rosto dela me parece muito familiar.
— Nós a vimos de manhã, quando fomos visitar o centro de pós-parto — lembrou Sabrina Batista.
Oceana Reis recordou-se.
— Ah, da última vez você foi até lá só para tentar encontrá-la por acaso. Vocês são muito próximas?
— É apenas uma cliente. — Sabrina Batista negou com um aceno de cabeça. — É só que ela me causa uma sensação estranha.
— Tem muita gente esquisita no mundo, não ligue para isso. — Oceana Reis não estava interessada no comportamento estranho de uma senhora rica. — Você consegue entender o meu ponto de vista?
Ela se referia à sua intenção de reservar o melhor centro de pós-parto para Sabrina, uma atitude de pura boa vontade.
Sabrina Batista revirou os olhos.
— Não quero entender, não vou, e fim de papo.
Ela se virou e foi para a sala brincar com Carlitos.
Embora tivessem voltado tarde, Kiara havia preparado o almoço.
Ela requentou a comida, e Sabrina Batista e Oceana Reis sentaram-se à mesa para comer.
Após a refeição, Sabrina Batista voltou para o seu quarto.
Como havia acordado cedo, planejava tirar uma sesta.
Mas antes que pudesse se deitar, bateram à porta de casa.
Ela teve que se levantar para atender.
— Sabrina, abre a porta!
Era Oceana Reis, gritando e batendo na porta com urgência.
Sabrina Batista abriu.
— O que foi?
— A Larissa... A Larissa está aqui. — Oceana Reis havia recebido um telefonema de Larissa e corrido até ali, estando agora um pouco ofegante.
— O que ela veio fazer na Cidade S? — A expressão de Sabrina Batista fechou-se. — E as crianças do orfanato? Quem está cuidando delas?
Oceana Reis balançou a cabeça.
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No escritório da presidência.
Henrique Ramos estava de pé junto à janela, segurando o celular enquanto ouvia uma ligação.
— A Família Couto tem uma regra: a herança é passada para as mulheres. Só na falta de herdeiras é que vai para os homens. Na geração de Wesley Couto, ele teve dois filhos. Ele e o irmão tentaram conspirar para mudar essa regra da família, mas foram impedidos pelos membros dos ramos colaterais.
— Há muitos rumores na Cidade S sobre a Família Couto. A Senhora Couto só teve o filho, Francisco Couto, cinco anos após o casamento. Dizem que, antes de Francisco nascer, ela teve uma filha que foi morta por Wesley Couto.
— Ah, sim, a Senhora Elisachegou a dar à luz uma menina, que morreu logo após o nascimento. Por causa disso, a Senhora Elisa sofreu de depressão por muitos anos. A situação só melhorou quando ela teve o filho mais novo, há seis anos.
Luiz Moreira havia investigado a Família Couto a fundo.
A reputação não era das melhores, mas tudo baseava-se em lendas urbanas, não havia provas concretas.
Por isso, a posição da Família Couto na Cidade S permanecia muito sólida.
— Você está me dizendo tudo isso, mas qual a relação com Sabrina Batista? — retrucou Henrique Ramos.
Luiz Moreira hesitou com um 'hã' antes de dizer:
— O senhor acha que a Secretária Batista pode ser filha da Família Couto?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!