— Você ainda nem pisou na casa da Família Couto e já se importa tanto em saber se damos mais valor aos homens do que às mulheres?
— Para ser franco, eu de fato preferia ter um filho homem, mas a sua mãe, não — disse Wesley Couto, franzindo a testa em desaprovação. — Na época, para mantê-la a salvo, ela não ousou anunciar a gravidez. Queria dar à luz em segredo para garantir a sua segurança. Infelizmente, fomos descobertos e houve um grande tumulto. Fui eu quem achou a situação vergonhosa e, para não transformar tudo num escândalo, decidi abafar o caso.
— O fato de não termos revelado nada dificultou muito as buscas da sua mãe. Caso contrário, já a teríamos encontrado há muito tempo. Sei que isso foi injusto com você, mas essa sua atitude parte o coração dela. Você quer mesmo condená-la a viver o resto da vida remoendo a culpa e um sofrimento eterno?
Assim que Wesley Couto terminou de falar, as lágrimas da Senhora Couto transbordaram e ela não conseguiu conter os soluços dolorosos que escapavam de seus lábios.
Diante de palavras tão pesadas, qualquer recusa de Sabrina passaria facilmente por frieza e ingratidão.
Afinal, retornar para a Família Couto e assumir o posto de herdeira elevaria seu status de forma astronômica, proporcionando a ela uma vida infinitamente mais luxuosa do que a atual.
Ninguém se importava com a vontade dela em aceitar ou não aquela família. O que importava era o desejo da Família Couto e o fato de que a Senhora Couto jamais conseguira esquecê-la ao longo dos anos.
— Na verdade, o meu receio é envergonhar a Família Couto se eu voltar.
— Fiquei grávida antes do casamento, e o pai da criança... é desconhecido — disse Sabrina Batista, mudando o rumo da conversa.
Ao ouvir isso, os prantos da Senhora Couto cessaram por um instante. — Desconhecido?
— Não importa — minimizou Wesley Couto, acenando com a mão. — Na Cidade S, ninguém teria a audácia de falar mal da Família Couto. Contudo, pensando no seu futuro casamento, temos um plano, caso você concorde.
As pálpebras de Sabrina Batista tremeram de leve. Com o olhar fixo no chão e uma expressão perfeitamente serena, ela perguntou: — Que plano?
— O filho do seu irmão nasceu no mesmo dia que o seu. Você pode deixar que ele crie a criança como se fosse dele. O bebê continuaria sendo da nossa família e, no futuro, poderia herdar o patrimônio da Família Couto. Enquanto isso, você assumiria seu papel como nossa herdeira, se casaria com um homem de uma posição adequada e teria outros filhos. Nós garantiríamos que você jamais passasse necessidades outra vez na vida — explicou Wesley Couto, baixando um pouco o tom de voz.
— Fantástico.
Sabrina Batista curvou os lábios num sorriso carregado de ironia.


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