Sabrina Batista havia se encontrado com Francisco Couto apenas algumas poucas vezes em toda a sua vida. Como estava usando máscara, entrou na sala privada e circulou debaixo do nariz dele por um bom tempo sem que ele a reconhecesse.
No entanto, ela não tinha a menor prática; precisava conferir o manual de treinamento a cada passo que dava para preparar a massagem.
Francisco Couto estava reclinado na maca, com as mãos sob a cabeça, observando-a calmamente enquanto ela tentava se encontrar.
Embora ele não a tivesse reconhecido, se continuasse daquele jeito, mais cedo ou mais tarde, acabaria se entregando.
— Senhor Couto, deite-se confortavelmente, por favor.
Sabrina Batista foi para a cabeceira da maca. — Vou massagear a sua cabeça para que possa relaxar.
Francisco Couto abaixou as mãos e finalmente resolveu falar.
— Você é nova aqui?
Sabrina Batista assentiu.
— Eu não quero novatas. Esta clínica não conhece as minhas regras?
Embora Francisco Couto a repreendesse, ele acabou se ajeitando na maca.
Sabrina Batista sentou-se, estendeu as mãos e começou a massageá-lo com técnicas bem amadoras.
— Peço desculpas. A minha supervisora teve um imprevisto e não pôde vir hoje, e todas as outras massagistas estão ocupadas, então sobrou apenas eu. Na hora de pagar a conta, eu darei um desconto. Por favor, sinta-se à vontade para dizer se algo não estiver do seu agrado.
Francisco Couto soltou um riso de escárnio, mas não disse mais nada.
Ele fechou os olhos. Não se sabia no que estava pensando, mas não apresentava aquela atitude debochada das vezes anteriores em que Sabrina Batista o havia visto.
— Essa pressão está boa? — perguntou Sabrina Batista mais uma vez.
— Está bom, continue. Vou tirar um cochilo.
Francisco Couto, irritado com a interrupção, respondeu num tom autoritário.
Sabrina Batista ficou em silêncio e continuou a massagear lentamente. Mirando as áreas onde o cabelo era mais denso, ela aplicou um pouco de força...
E arrancou dois fios de cabelo.
Francisco Couto apenas franziu a testa ligeiramente, sem demonstrar qualquer outra reação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!