Além dos pulsos, havia muitas outras marcas em suas costas.
Sabrina Batista hesitou o passo por um momento, mas rapidamente retomou a naturalidade e desceu as escadas direto.
Só que a sua postura ao caminhar estava extremamente estranha, por causa da dor e da fraqueza latejante entre as pernas.
— Não vamos conversar um pouco? — Henrique Ramos apoiou as duas mãos no corrimão, entrelaçando os dedos, e foi o primeiro a quebrar o silêncio.
Sabrina Batista parou e olhou para trás.
— Somos adultos. Não há o que falar. Considere apenas que me deve um favor.
Henrique Ramos estreitou os olhos repentinamente.
— Devo um favor a você?
— Claro. — Sabrina Batista não estava tentando se aproveitar daquela oportunidade para cobrar um favor dele de verdade.
Ela apenas queria usar isso para amenizar o constrangimento daquele dia absurdo. Tratar tudo como uma simples troca era melhor do que qualquer outra coisa!
— Por que eu deveria? — Henrique Ramos endireitou a postura, colocou as mãos nos bolsos e desceu os degraus lentamente, parando no degrau imediatamente acima dela.
Sabrina Batista o encarou, estupefata.
— Eu ajudei você, logo você me deve um favor. Isso não é perfeitamente normal?!
— Você me ajudou sim, mas eu também te ajudei. — rebateu Henrique Ramos, com um tom de quem diz o óbvio. — Você não gostou?
— ... — Sabrina Batista ficou sem palavras.
Ela franziu o cenho, tomada por um misto de vergonha e fúria.
— Eu fui forçada!
— Só me diga se gostou ou não.
— ... — Sabrina Batista continuava sem saber o que dizer.
As palavras dele sempre conseguiam ser estarrecedoras!
— Embora eu tenha começado, você não recusou depois. E até que aproveitou bastante. Estamos quites.
Henrique Ramos continuou a descer as escadas de forma relaxada, com as duas longas pernas sustentando uma postura ereta.
Sabrina Batista, sentindo-se contrariada, correu atrás dele com pressa e irritação.
— Henrique Ramos, não passe dos li... Ah!
Na agitação, faltou firmeza em suas pernas, e ela perdeu o equilíbrio, caindo para a frente.
Henrique Ramos balançou o braço longo e a amparou em plena queda com um movimento rápido.
— O que foi? Quer ficar quite comigo mais algumas vezes, desse mesmo jeito? — disse ele com um tom de voz íntimo. — Vamos deixar para outro dia, tenho medo que você não aguente.
A mão grande e quente dele deu um leve aperto na cintura fina dela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!