Assim que Rebeca entrou, viu as gotas de sangue no chão.
Ela franziu a testa e olhou para Samuel:
— O que está acontecendo aqui?
A enfermeira logo tratou de reclamar:
— Ele insiste que já está bem e quer ter alta agora mesmo!
Vendo que Samuel não tinha coragem de encará-la, Rebeca entendeu a situação e disse à enfermeira:
— Pode deixar que eu cuido disso, obrigada.
A enfermeira, louca para se livrar do problema, saiu do quarto na mesma hora.
Quando os dois ficaram a sós, Samuel murmurou, com a voz embargada:
— Você não precisa se preocupar comigo. Eu estou bem.
Ouvir tamanha irresponsabilidade o deixou furiosa.
Na noite anterior, os médicos passaram três horas tentando salvar a vida dele!
Ela ainda tinha na cabeça a imagem dele coberto de sangue...
— Samuel Batista, você pode cair na real? Dá para parar de brincar com a própria vida? Por que você se jogou daquele jeito ontem? Você tem noção de que quase morreu? Você não tem o mínimo instinto de sobrevivência?
Rebeca foi perdendo a paciência, despejando toda a raiva e o pavor que estavam entalados em seu peito:
— Tem horas que eu sinto vontade de abrir a sua cabeça só para ver o que tem dentro!
Como ele teve a coragem de ser tão imprudente numa situação daquelas?!
Samuel continuou de cabeça baixa, sem dizer uma palavra, submisso como uma criança que acabou de levar bronca.
Isso só deixou Rebeca mais irritada:
— Fala alguma coisa!
Samuel apertou os lábios e, depois de muita hesitação, disse:
— Rebeca.
— Eu mandei você falar, não mandei me chamar!
Samuel ficou em silêncio por dois segundos.
— Eu estou respondendo à sua pergunta.
Rebeca levou um tempo para processar e entender o que ele quis dizer com aquilo.
Ela não sabia se ficava com raiva ou se ria.
No fim, ao ver que o buraco da agulha na mão dele ainda sangrava, decidiu deixar para lá.
Ela pegou um cotonete no carrinho de curativos, caminhou até ele e ordenou friamente:
— A mão.
Dessa vez, Samuel foi obediente. Sem teimosia, estendeu a mão e deixou Rebeca cuidar do ferimento.


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