Rebeca, após desligar o telefone, demorou mais meia hora para subir.
O olhar de Samuel a seguiu até que ela desapareceu de vista, para só então desviá-lo, relutante.
Ele exalou o fôlego longo, quente e lento, esforçando-se para acalmar o sangue que corria impetuosamente por suas veias.
Demorou um bom tempo até que seu corpo rígido finalmente relaxasse.
Puxou o colarinho, espantando o calor, e sentindo a cabeça cheia de arrependimento.
Aquela sua sogrinha torturava mais as pessoas do que uma sogra de verdade.
E o pior era que Rebeca a defendia com unhas e dentes.
Nem sabia se teria chance de superá-la nesta vida.
Ainda sentindo-se injustiçado, Samuel acabou fazendo uma ligação.
Quando Rebeca entrou em casa, Helena estava alimentando Samba.
O bichinho comia como se a barriga não tivesse fundo.
— Você não disse que estava lá embaixo agora há pouco? Por que demorou tanto? — Helena perguntou de propósito.
Felizmente, a iluminação na entrada estava fraca, escondendo a culpa nos olhos de Rebeca.
Nem quando tivera um amor de juventude com Samuel, ficara tão nervosa.
— Peguei um pouco de trânsito.
— Trânsito a essa hora? — A dúvida de Helena penetrou a alma de Rebeca.
Tinha esquecido de elaborar uma desculpa de antemão.
Rebeca não teve escolha senão continuar inventando: — Parece que teve um pequeno acidente e acabou parando um pouquinho.
Helena fez um "ah" e não insistiu.
Não se sabia se ela acreditara ou não.
Quando Rebeca terminou de lavar as mãos, Helena já tinha posto a comida quente na mesa e sentado de frente para ela.
Durante a refeição de Rebeca, ela não parava de observá-la.
Aquilo deixou Rebeca desconfortável, que perguntou: — Por que você está me encarando tanto?
— Por que seu batom está borrado? — perguntou Helena.
— Deve ter borrado quando eu estava bebendo.
— O seu assistente não te avisou para retocar?
Rebeca quase mordeu a própria língua.
Não apenas ele não havia avisado, como também era o principal culpado por borrar o batom.
— Além disso, não acha que exagerou um pouco no blush?

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