No final da primavera em Lumina, o sol havia brilhado por vários dias, mas hoje uma chuva repentina começou a cair.
Quando Liana saiu do consultório ginecológico, não notou a pessoa saindo do corredor ao lado e esbarrou nele sem querer, derrubando todos os seus documentos no chão.
— Des... desculpe.
Ela se desculpou rapidamente, agachando-se com pressa para juntar os papéis.
Um sapato de couro caro e reluzente pisou em cima dos papéis espalhados no chão. Ela não conseguia puxá-los e falou com voz suplicante, cheia de desculpas:
— Senhor, por favor, levante o pé.
O homem não moveu o pé, e Liana sentiu como se um olhar sombrio fosse disparado em direção ao topo de sua cabeça.
Alguém pegou os papéis soltos e soltou uma voz surpresa: — Reconstrução de hímen?
Aquela voz zombadora, que ela conhecia tão bem, fez Liana ficar completamente paralisada de choque, o coração gelando no peito.
Essa voz... era de Isabella, como poderia ser tanta coincidência encontrá-la no hospital?
E aquele homem vestindo os sapatos caros de couro, não precisava nem pensar, era seu futuro ex-marido, Roberto.
Desde que Isabella voltou ao país com o filho, Roberto exigiu o fim do casamento de contrato com Liana três meses antes do previsto.
Durante esses três meses, ele sempre esteve ao lado de Isabella, ela vira as figuras dos dois juntos muitas vezes.
Agora, Liana já estava acostumada com isso.
Apenas, este era o consultório de ginecologia, o que eles estavam fazendo ali?
Ela se levantou de forma antinatural, vendo Isabella acariciar o abdômen e olhar para ela com um brilho orgulhoso.
Ela apertou um pouco os olhos, pensando: será que ela estava grávida novamente do Roberto?
Eles iam ter o segundo filho?
Essa ideia cortou o peito de Liana como uma lâmina afiada, trazendo uma dor insuportável.
Se não fosse por aquele acidente, quatro anos atrás, duas pessoas de mundos tão diferentes nunca teriam ficado juntas.
Liana olhou para o homem à sua frente, que a interrogava com o rosto sombrio, seu coração esfriou um pouco, apertou os lábios e disse: — Eu não fiz isso, você... você entendeu mal.
Isabella segurou o braço de Roberto, rindo e dizendo suavemente: — Liana, você realmente não tem amor próprio.
As pessoas que passavam paravam para olhar para ela: uma mulher com roupas velhas e sem graça, segurando nas mãos os papéis da consulta de reconstrução de hímen.
Não importava como olhassem, achavam absurdo e incoerente.
A multidão murmurava em voz baixa, com os olhos cheios de desprezo e desdém.
O rosto de Liana empalideceu por um momento, pegou o folheto pronta para sair dali, mas foi bloqueada por Roberto.
Ele advertiu com uma voz grave: — Liana, depois do divórcio, não me importo com o que você faz, mas agora você deve prestar atenção à sua posição!
Liana sentiu apenas uma dor aguda subir ao peito, bloqueando sua respiração a ponto de dificultar.

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