Não era de se estranhar que Larry estivesse sempre suspirando como se tivesse perdido metade da vida.
Como era de se esperar, a vida é dura trabalhando sob o Hanson, criticou Vania por dentro. Mas ficar com raiva fazia mal à saúde, então ela não podia deixá-lo continuar fervendo de irritação.
Além disso, o espetáculo dela ainda não tinha acabado.
Assim, respirou fundo, compôs um sorriso sedutor e estendeu a mão para empurrar a porta.
Porém, a porta mal se abrira uma fresta quando algo veio voando e se espatifou perto do pé dela.
“Você não entendeu o que eu disse? Cai fora!”
Hanson não ergueu os olhos dos documentos, mas a aura opressiva que emanava deixava claro o tamanho de sua fúria.
Ela baixou o olhar para a xícara de chá estilhaçada junto ao pé. Que pena.
Era uma xícara raríssima. Um desperdício.
“Não fica bravo, senhor”, respondeu no mesmo tom aveludado.
Só então ele percebeu que havia algo de estranho na voz que falava com ele. Levantou os olhos às pressas e, atônito, murmurou: “É você, meu bem”.
Aquele timbre provocante tinha feito com que ele pensasse ser outra pessoa.
“E você achou que era quem?”, ela perguntou, deixando a voz soar com um toque de ciúme enquanto desfilava até ele.
Ele estacou, constrangido. Afinal, não podia dizer a verdade: que supôs ser uma de suas funcionárias tapadas.
No fim, Hanson resmungou: “Eu só não gosto que estranhos me tragam a refeição”. E a envolveu num abraço. “Você se machucou?”
Ele ainda a examinou com cuidado. Arrependeu-se profundamente do que fizera. Seria terrível se sua esposa se ferisse.
Vania lançou-lhe um olhar divertido. Estranho?, pensou. Os próprios funcionários dele ainda são “estranhos” para ele?

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