— Nem pensar — disse Vania, sem hesitar.
Hanson já estava acostumado a ser rejeitado, mas mesmo assim fez cara de aborrecido. — Hoje foi tão difícil para mim. Preciso de um pouco de carinho.
Por que ele está tão meloso? ela pensou.
— Difícil por quê? — perguntou, exasperada.
Afinal, ele era o presidente da empresa. Ninguém se atreveria a pisar nele.
E não foi ele quem infernizou todos os funcionários do prédio há poucos dias?
Como é que ainda estava chateado?
Ele fez biquinho. — Alguém quis me roubar de você, então eu fiquei irritado.
A voz dele vinha carregada de confiança e um toque de súplica, como se pescasse elogios pela virtude que tivera.
— Me elogia, meu bem — continuou, contente.
Aquele comportamento era tão imaturo que custava acreditar que ele era presidente de empresa.
As pálpebras dela tremeram. — Você quer que eu te elogie ou te conforte? — Ela o encarou.
— Os dois.
Só criança escolhe uma coisa. Adulto sempre quer tudo.
— Isso é uma exigência? — ela provocou, zombando da ganância dele.
— Se vier de você, eu quero tudo — respondeu Hanson, com um sorriso.
— Se você não comer, a comida vai esfriar — disse Vania, apontando para os pratos. Ela já estava acostumada às exigências dele. — Você tem gastrite, então não pode comer nada frio.
Ele assentiu e, obediente, sentou-se. — Vamos começar.
Se ele tivesse um rabo, estaria abanando freneticamente agora.

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