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Sim! Me Casei Com Irmão Do Ex romance Capítulo 821

Luana falava tudo isso com a voz calma, mas cada palavra era como rasgar a própria ferida.

Por já ter vivido a morte da mãe, ela tinha uma capacidade de suportar a dor muito maior do que a maioria das pessoas.

Coisas que fariam os outros desabar, ela conseguia enterrar no fundo do peito, sem deixar transparecer nada por fora.

Só quando era encurralada, quando a dor passava do limite, é que se permitia mostrar a própria fragilidade, como agora.

Mas talvez isso também fosse uma sequela do trauma.

Quando algo a atingia com força demais, por já ter sofrido tanto, o cérebro reconhecia o perigo, achava que ela não suportaria e bloqueava a emoção. Era uma forma de proteção, filtrando tudo o que ela não podia encarar.

Como, por exemplo, a perda do bebê.

Vendo de fora, parecia até que Luana tinha superado tudo rapidamente.

Nunca tocou no assunto, como se tivesse esquecido o aborto num piscar de olhos.

Até o dia em que Henrique colocou diante dela os documentos jurídicos e os exames de gravidez, dizendo que havia dois filhos.

Naquele instante, o fantasma da perda anterior voltou com força total e a atingiu em cheio.

A reação de Luana foi intensa, devastadora.

Naquele momento, ela não tinha como lidar com Henrique, com Dante e com as duas crianças ao mesmo tempo.

E por já ter perdido um filho, não conseguia rejeitar uma vida que carregava o mesmo sangue que o dela.

Mas, ao escolher os bebês, começou a se preocupar, como Dante reagiria? Mesmo que aceitasse no início, por quanto tempo conseguiria sustentar isso?

O relacionamento deles, com apenas oito meses, ainda era frágil demais. Qualquer vento mais forte podia derrubar tudo. E se chegasse o momento da ruptura, do confronto, viria a dor.

O coração de Luana se dividia em pedaços.

Durante aquele período, ela pensava constantemente em Janaina, desejando que a mãe pudesse lhe dizer o que fazer, que estendesse a mão.

Mas no fim, seguiu o que o coração mandava.

Ela escolheu terminar.

Luana recuou. Quis fugir. Afinal, aquelas crianças eram dela, não de Dante, e nada tinham a ver com ele.

Talvez agora ele aceitasse ficar ao lado dela, se esforçando para compreender e acolher.

Mas... e se um dia mudasse de ideia?

Se Dante não conseguisse mais suportar a presença dos filhos, poderia ir embora a qualquer momento. Não havia nenhum laço biológico nem moral que o prendesse a eles.

Então... melhor deixar tudo assim.

Melhor parar de se machucar.

Ela conseguiria aguentar sozinha.

O vínculo de sangue com as crianças seria eterno, e Luana tinha confiança de que conseguiria criá-las muito bem.

Dessa relação, ela podia tirar segurança.

Mas de um relacionamento de oito meses, não.

Ao terminar com Dante, sim, ela o magoou.

Mas quem nunca magoou alguém? Um amigo, um parente, um amor?

Pelo menos, Luana nunca brincou com os sentimentos de Dante.

Enquanto estiveram juntos, ela tentava fazê-lo feliz, cuidava das emoções dele.

Não foi apenas quem recebeu o carinho, também deu tudo de si, com o coração inteiro.

E ela sabia que Dante, por sua vez, também aproveitava suas pequenas delicadezas, suas atenções. Ambos viveram, naquele amor, momentos realmente belos.

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