Tereza estremeceu e, num reflexo quase automático, desvencilhou-se daquele aperto, permanecendo no mesmo lugar.
— A Delfina me procurou há pouco dizendo que escutou pessoas no banheiro fazendo fofoca sobre nós.
Tereza hesitou, franzindo as sobrancelhas levemente: — Por que a Delfina contaria isso a você?
— Porque ela ouviu. — A expressão de Norberto esfriou ainda mais. — Da próxima vez que isso acontecer, por favor, interceda de imediato. A Delfina não deveria ser obrigada a escutar tamanha podridão.
— Você está me culpando? — O olhar de Tereza obscureceu-se, e seu tom de voz tornou-se gélido. — E por que as pessoas dizem essas coisas? Por acaso não é resultado direto das atitudes de certas pessoas?
Norberto já estava acostumado com as respostas afiadas da esposa, portanto, não se surpreendeu que Tereza rebatesse a culpa nele.
— É verdade. As atitudes delas machucaram você e a Delfina. Eu cuidarei disso. — Norberto assumiu a postura de um marido cumprindo suas obrigações.
Tereza apenas ficou observando a encenação dele em silêncio.
— A única forma de calar a boca do povo é ter um comportamento íntegro, e não ficar fazendo tribunais depois do estrago feito. — Dito isso, Tereza virou-se para sair.
— Tereza, os de fora podem não entender certas coisas, mas e você? — indagou Norberto abruptamente.
Tereza estancou os passos, sem sequer olhar para trás, e retrucou com total indiferença: — Eu? Eu não ligo a mínima.
E sem mais hesitações, retomou a caminhada, mergulhando de volta na multidão banhada pelas luzes resplandecentes.
O olhar de Norberto acompanhou-a sumir no meio de toda aquela claridade. Ele contraiu os lábios finos, querendo dizer algo, mas a frieza cortante da esposa ergueu um muro instransponível entre os dois.
Ele permaneceu ali por mais alguns segundos antes de finalmente voltar para a festa.
Caminhando entre o burburinho das pessoas, Tereza abriu lentamente os dedos que antes mantinha cerrados com tanta força.
Ela poderia abrir mão do título de Sra. Cardoso, sem problema algum.

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