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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 74

O silêncio se espalhou pelo interior da barraca. Do lado de fora, ouvia-se o farfalhar do vento e as risadas distantes dos que jogavam cartas.

— Tereza! — Norberto de repente quebrou o silêncio, com a voz grave: — Faz muito tempo que não ficamos assim... em silêncio juntos, não acha?

Tereza finalmente virou o rosto e olhou para ele.

O crepúsculo se aproximava, e a luz do entardecer refletia em seu rosto, iluminando traços impecáveis e bonitos.

— Faz bastante tempo.

Tereza desviou o olhar, com um tom de voz indiferente.

— E se... — a voz dele soou um pouco mais rouca. — Estou dizendo que, se por acaso, eu não lidei muito bem com algumas coisas...

Justo naquele momento, a voz de Hera soou do lado de fora: — Norberto, você ainda vai jogar?

— Fala mais baixo, a Delfina está dormindo. — Norberto saiu da barraca e a advertiu em voz baixa.

— Ah! — Hera respondeu imediatamente num sussurro: — O Eliseu e eu estávamos pensando em dar uma volta onde enterramos nosso baú do tesouro. Você quer ir?

Norberto respondeu: — Eu passo. Podem ir vocês.

Hera imediatamente se inclinou e lançou um olhar para Tereza. Embora não tenha dito nada, já havia lido sua expressão; continuava fria e distante como sempre, mas parecia estar se forçando a manter as aparências.

Era inútil tentar se encaixar em um grupo ao qual ela não pertencia.

Hera apressou-se em sussurrar para Tereza: — Tereza, você deve estar achando tudo meio sem graça. Talvez seja porque não está acostumada a acampar. Mas com o tempo você pega o jeito e se diverte mais.

Ao ouvir aquela preocupação fingida, Tereza soltou um riso imperceptível e a ignorou completamente.

O céu começou a escurecer. Hera e alguns amigos colocaram as mochilas nas costas e seguiram por uma trilha em busca do tesouro juvenil que haviam enterrado anos atrás.

Gregório saiu de sua barraca e olhou as horas: — Norberto, já que eles foram procurar as coisas, vamos adiantando o jantar.

Norberto concordou prontamente: — Claro. Tereza, o que você quer comer? Eu asso para você.

Sem ânimo algum, Tereza limitou-se a dizer: — Me dá só um pedaço de pão, por favor.

Ouvindo aquilo, Gregório imediatamente tirou da sacola de suprimentos uma caixa com pães frescos: — Foi a cozinheira lá de casa que fez. Prova para ver se gosta.

Norberto lançou um olhar para Gregório enquanto Tereza estendia a mão para pegar o pão: — O cheiro está ótimo. Obrigada, Gregório.

Gregório sorriu: — Come um pouco de pão para forrar o estômago, enquanto o Norberto e eu preparamos a carne para você.

— Está bem! — Tereza assentiu com a cabeça.

O vento começava a uivar forte. Sem cabeça para continuar com o churrasco, Mafalda apagou todo o carvão para evitar qualquer acidente.

Como não queria que a filha tomasse friagem, Tereza a levou de volta para a barraca. A essa altura, já era possível ver algumas estrelas brilhando no céu, e a garotinha ficou lá dentro com a cabeça erguida, observando-as.

No meio da montanha escura, Norberto e os outros embrenharam-se na floresta, apontando as lanternas e gritando incessantemente, em busca da mulher.

— Hera!

— Hera, me responde!

O grito de Norberto ecoava pelo vale. Ansiedade, preocupação e uma agitação incômoda enredavam sua mente em uma confusão de pensamentos.

Após se dividirem nas buscas, Norberto, valendo-se de sua memória notável, foi o primeiro a descer até um desfiladeiro íngreme. Lá, encontrou Hera encolhida sob uma rocha, pálida e tremendo de frio.

Seu tornozelo estava torcido e inchado, e ela havia perdido um dos sapatos. Seu estado era lastimável.

— Norberto... — Hera parecia ter acabado de recuperar a consciência e, chorando, respondeu ao chamado do homem, que não hesitou em rasgar a folhagem espessa para se agachar diante dela.

Hera desatou a chorar, atirando-se nos braços de Norberto, o corpo tremendo por causa do frio e do pavor.

— Norberto, eu sabia que você viria. Eu fiquei com tanto medo... — Hera soluçava sem parar, quase a ponto de desmaiar: — Eu tenho muito medo do escuro, e nem sei onde a minha lanterna foi parar.

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