O silêncio se espalhou pelo interior da barraca. Do lado de fora, ouvia-se o farfalhar do vento e as risadas distantes dos que jogavam cartas.
— Tereza! — Norberto de repente quebrou o silêncio, com a voz grave: — Faz muito tempo que não ficamos assim... em silêncio juntos, não acha?
Tereza finalmente virou o rosto e olhou para ele.
O crepúsculo se aproximava, e a luz do entardecer refletia em seu rosto, iluminando traços impecáveis e bonitos.
— Faz bastante tempo.
Tereza desviou o olhar, com um tom de voz indiferente.
— E se... — a voz dele soou um pouco mais rouca. — Estou dizendo que, se por acaso, eu não lidei muito bem com algumas coisas...
Justo naquele momento, a voz de Hera soou do lado de fora: — Norberto, você ainda vai jogar?
— Fala mais baixo, a Delfina está dormindo. — Norberto saiu da barraca e a advertiu em voz baixa.
— Ah! — Hera respondeu imediatamente num sussurro: — O Eliseu e eu estávamos pensando em dar uma volta onde enterramos nosso baú do tesouro. Você quer ir?
Norberto respondeu: — Eu passo. Podem ir vocês.
Hera imediatamente se inclinou e lançou um olhar para Tereza. Embora não tenha dito nada, já havia lido sua expressão; continuava fria e distante como sempre, mas parecia estar se forçando a manter as aparências.
Era inútil tentar se encaixar em um grupo ao qual ela não pertencia.
Hera apressou-se em sussurrar para Tereza: — Tereza, você deve estar achando tudo meio sem graça. Talvez seja porque não está acostumada a acampar. Mas com o tempo você pega o jeito e se diverte mais.
Ao ouvir aquela preocupação fingida, Tereza soltou um riso imperceptível e a ignorou completamente.
O céu começou a escurecer. Hera e alguns amigos colocaram as mochilas nas costas e seguiram por uma trilha em busca do tesouro juvenil que haviam enterrado anos atrás.
Gregório saiu de sua barraca e olhou as horas: — Norberto, já que eles foram procurar as coisas, vamos adiantando o jantar.
Norberto concordou prontamente: — Claro. Tereza, o que você quer comer? Eu asso para você.
Sem ânimo algum, Tereza limitou-se a dizer: — Me dá só um pedaço de pão, por favor.
Ouvindo aquilo, Gregório imediatamente tirou da sacola de suprimentos uma caixa com pães frescos: — Foi a cozinheira lá de casa que fez. Prova para ver se gosta.
Norberto lançou um olhar para Gregório enquanto Tereza estendia a mão para pegar o pão: — O cheiro está ótimo. Obrigada, Gregório.
Gregório sorriu: — Come um pouco de pão para forrar o estômago, enquanto o Norberto e eu preparamos a carne para você.
— Está bem! — Tereza assentiu com a cabeça.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido