Tinha uma estampa xadrez clássica. Talvez pelas marcas do tempo, a cor já não era tão vívida.
Numa das pontas do tecido, ela viu dois nomes que havia bordado com as próprias mãos: o dela e o de Norberto.
Tinha sido um presente de Ano Novo dado pessoalmente por Norberto no primeiro ano de casados.
Naquela época, ele havia dito que as roupas dela eram muito discretas para a virada de ano, e que ela precisava de algo mais alegre e festivo.
Naquele mesmo período, Norberto e o irmão já começavam a se destacar na empresa. Pareciam dois jovens tigres repletos de vigor. Trabalhavam incansavelmente, mas ainda conservavam a impetuosidade da juventude, com arestas que a vida ainda não havia polido.
As memórias vieram à tona. O clima daquela tarde de inverno parecia carregar o frescor de pinheiros perfumados e o calor inesquecível do abraço dele.
Segurando o velho cachecol, os dedos de Tereza se apertaram inconscientemente. No instante seguinte, ela atirou a peça com suavidade sobre os livros e disse a Dona Lígia: — Não tem nada de importante aqui, pode jogar tudo fora.
Dona Lígia murmurou em concordância e olhou para o cachecol. De fato, estava bem velho e deveria ir para o lixo. Afinal, a senhora comprava roupas novas todo ano.
A governanta levou a caixa para o lado de fora, no pátio.
Uma hora depois, Norberto chegou em casa com Delfina. Após estacionar o carro na garagem, pai e filha seguiram juntos em direção à sala.
Ao ver as caixas empilhadas na porta, a menina correu para investigar. Por fim, pegou o cachecol vermelho e perguntou: — Isso é da mamãe?
Norberto logo percebeu os nomes bordados na peça. Com passos largos, aproximou-se, pegou o cachecol nas mãos e olhou de perto. Em seguida, disse a Dona Lígia: — Isso pertence a ela. Antes de jogar fora, você devia perguntar se ela ainda quer.
— Jovem mestre, eu já perguntei à senhora. Ela disse que essas coisas não importam mais e mandou me livrar de tudo. — respondeu Dona Lígia prontamente, dando um passo à frente.
O rosto de Norberto congelou por um momento. Logo depois, ele recolocou o cachecol suavemente em cima da caixa e continuou seu caminho até a sala em silêncio.
— Papai, me espera! — Delfina correu atrás dele. Respirando fundo, Norberto propôs à filha: — O papai comprou fogos de artifício para você. Que tal acendermos lá no pátio?
— Eba! — pulou de alegria. — Vou subir para chamar a mamãe para ver também.
— Vá lá. — assentiu ele.
Feliz da vida, a menina subiu as escadas atrás de Tereza. A médica estava acomodada em seu escritório particular, mergulhada no trabalho. Ao ver a filha entrar, seu coração se derreteu. Ela a abraçou e acariciou suas mãozinhas, que estavam bem quentinhas.
— O papai disse que vai acender fogos para mim! Mamãe, vem ver com a gente! — pediu Delfina de forma adorável, com os braços envoltos no pescoço da mãe. Todos os anos na véspera do Ano Novo, essa calorosa cena familiar se repetia.
Quando era menor, Delfina cobria as orelhas e corria para se esconder no colo dos adultos ao menor som dos fogos.
Agora que estava mais crescida, tinha ficado mais corajosa e até passara a gostar do som das explosões brilhantes no céu.

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