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Submetida ao Desejo romance Capítulo 2

Serena:

Ele me encarou.

E antes que dissesse qualquer coisa, a cobra míope deslambida deslizou as unhas vermelhas pelo braço dele, aproximando a boca do ouvido enquanto cochichava algo.

Mas os olhos azuis.

Ah, os olhos azuis continuavam presos nos meus.

Não nela.

Em mim.

Aquilo foi um golpe baixo demais para eu suportar.

Baixei o olhar imediatamente, encarando meus sapatos como se eles fossem a coisa mais fascinante do mundo. Melhor aquilo do que assistir à cena degradante à minha frente.

Mesmo assim, não consegui evitar.

Vi de relance as unhas vermelhas escandalosas escorregando para dentro do bolso da calça preta dele.

Um cartão magnético.

Extra.

Soltei o ar com força, o peito inflando de raiva.

Ótimo.

Agora eu teria que registrar a vadia que estava entregando o cartão extra do quarto.

Eu não era ingênua.

Las Vegas. Cidade do pecado.

Metade daqueles empresários passava as conferências abrindo portas para mulheres diferentes a cada noite. Até eu queria colocar meus pecados em dia.

Mas qual era o plano dele?

Ele não tinha largado outras mulheres nas três últimas conferências.

Ia fazer o quê?

Abrir a porta de hora em hora e gritar “próxima”?

— Está com algum problema, senhorita Beaumont?

Levantei o olhar.

A cobra já não estava mais colada nele, mas o cheiro doce e enjoativo do perfume ainda pairava no ar.

Balancei a cabeça.

Profissional.

Sempre profissional.

Porque o problema de ser mulher em meio a tantos homens — e ainda ser vista como jovem demais, como o próprio León adorava reforçar — e negra-latina, era não poder baixar a guarda nem por um segundo.

Nunca deixe os tubarões sentirem cheiro de sangue.

Essa era a regra.

E quando o tubarão branco estava na sua frente, analisando cada microexpressão sua… a regra valia em triplo.

Eu odiava León mais do que odiava Nikolai.

Porque Nikolai provocava.

Mas León… León lia.

Ele me pegou admirando-o mais vezes do que eu gostaria de admitir.

E nunca de forma profissional.

— Creio que é hora de criança estar na cama.

A voz veio atrás de mim.

Virei devagar.

Nikolai.

Sério.

Imponente.

Chamando a atenção do primo com apenas um olhar.

Meu sangue ferveu.

Controlei.

Engoli.

Quase tirei os sapatos ali mesmo, no carpete vermelho escuro, só para libertar meus pés daquele dia infernal.

— Creio que sí, señor. — Olhei o relógio e voltei para ele com uma expressão calculada. — Assim como os velhos já devem estar se recolhendo… procurando suas cuidadoras.

Senti o ar ser sugado sobre minha cabeça.

León não reagiu de imediato.

Mas a faísca nos olhos azuis cresceu.

Lenta.

Perigosa.

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