Sierra
Bem mais tarde, quando os meus olhos já estavam se fechando por conta própria e a Mirna e a Karen haviam pegado no sono, vejo a porta se abrir e dois caras diferentes dos primeiros que vieram entrar arrastando a pobre garota e a jogar no chão sem qualquer cuidado.
Assim que fazem isso, eles vão embora sem olhar para trás, nos trancando mais uma vez no porão.
A garota está desacordada, dá para ver o quanto ela sofreu nas mãos daqueles monstros, suas roupas estão rasgadas e seu corpo está totalmente exposto e cheio de machucados, feridas e hematomas.
Entre as suas pernas, dá para ver sangue, eles a estupraram, roubaram a sua inocência.
Diante de tal visão, é impossível não chorar. Tento mais uma vez em vão me soltar daquelas amarás para ajudá-la.
Mas o que eu posso fazer? Aqui não há remédios, nem mesmo um pouco de água para lavar os seus ferimentos.
Mirna_ Não se torture Sierra, não há nada que você possa fazer por ela, e depois do que a pobre garota passou, tenho certeza de que ela prefere a morte a viver com as malditas lembranças.
Sierra_ Não sabia que existia gente tão má assim no mundo.
Mirna_ Você é inocente, criança, e dói saber que logo vão tirar isso de você.
As palavras dela causam um arrepio sinistro por todo o meu corpo, mas não tenho tempo de responder, pois mais uma vez ouvimos passos e a porta se abre novamente.
Dessa vez, não ouso abrir os olhos nem se quer um minuto para ver quem é, depois do que fizeram com a pobre garota, eu estou apavorada.
Tudo que faço é uma prece silenciosa a Deus para me livrar desse destino tão cruel.
De repente, sinto uma picada no meu braço e o sono vem com tudo, então é isso que eles vieram fazer, nos dopar mais uma vez...
Acordo quando sinto uma água gelada cair sobre o meu rosto.
Grito de susto, tentando recuperar o fôlego.
..._ Vamos logo suas putas, está na hora de desembarcar, chegamos ao nosso destino.
É o cara desdentado quem está aqui, acompanhado dos outros dois que trouxeram a garota na última noite em que estive acordada.
Falando na garota, olho para todos os lados, mas não vejo nem sinal dela.
Sinto um puxão no meu braço e percebi que um deles me soltou da pilastra, mas minhas mãos continuam amarradas.
..._ Levanta, vamos logo!
O homem grita comigo, me assustando e, mesmo com as pernas bambas e me sentindo fraca, eu faço o que ele pede.
A Karen vem e apoia o meu corpo no dela, me ajudando a caminhar. Eu fico grata, pois estou me sentindo tão fraca que temia desmaiar após dar alguns passos.
Continuo olhando entre as outras meninas, mas não acho a garota.
Karen_ Ela está morta, vi quando eles levaram seu corpo, acho que jogaram no mar.
Olho para ela com os olhos arregalados.
Karen_ Não me olhe assim, depois de ser estuprada diversas vezes e ainda torturada, tenho certeza de que a morte foi um descanso, eu te disse isso.
Não falo mais nada, pois um dos homens se aproxima caminhando ao nosso lado, provavelmente nos vigiando para garantir que nenhuma de nós vá fugir.
Como se tivéssemos alguma energia para isso depois de passar dias sem água ou comida, sendo dopadas para não dar trabalho para eles.
O rosto desapertado daquela garota ficará marcado para sempre em minha memória.
Não só o dela, mas de todas as meninas que estão aqui, a maioria delas caminha chorando silenciosamente, e eu não estou diferente.
É difícil não chorar quando lembro da minha mãe, do convento e das outras freiras. Ou quando penso que esse ano estaria me formando no colégio.
Que iria para uma faculdade realizar o meu sonho de estudar literatura inglesa e me tornar uma grande escritora.
Nada disso será mais possível, tudo foi tirado de mim.
Começo a pensar que a Mirna e a Karen estão certas, a morte com certeza é melhor do que um destino desses.
Nunca pensei em namorados, ou em qualquer coisa que envolva sexo. Esse tipo de intimidade me foi ensinado desde cedo que só pode ocorrer entre um homem e uma mulher após o casamento e agora querem me tornar uma escrava sexual.
Karen_ Não chore, criança, não demonstre fraqueza para eles, esse tipo de pessoa se alimenta do seu medo e quanto mais submissa parecer para eles, mais o interesse deles em você aumenta.
Ouvindo a voz sussurrada dela, eu tento me acalmar e parar de chorar.
Eles nos colocam em um furgão preto, todas sentadas lado a lado, não sei por quanto tempo, dirigem.

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