— Senhora Junqueira.
A voz solícita de Joaquim trouxe Helena de volta à realidade.
Ao voltar a si, deparou-se com o sorriso bajulador dele: — Quando nos vimos ontem à noite, eu não sabia quem a senhora era, então talvez tenha sido um pouco indelicado...
O Joaquim de agora não exibia mais a aura fria e ameaçadora de quando Helena o encontrara na noite anterior; o seu rosto transbordava obsequiosidade.
Ele deu um passo para trás e se curvou em reverência a Helena: — Senhora Junqueira, peço desculpas pelo meu comportamento de ontem à noite. Sinto muito!
Helena arregalou os olhos, chocada.
Instintivamente, olhou para Jorge, ao seu lado: — Isso...
— Apenas aceite.
— O pedido de desculpas do Senhor Queiroz foi bastante sincero — comentou Jorge, com a expressão impassível, como se a retratação fosse algo que merecia por direito.
Helena franziu as sobrancelhas antes de sorrir de forma um pouco constrangida para Joaquim: — Senhor Queiroz, não há necessidade de ser tão formal. Eu não fiquei ofendida.
Ao ouvir isso, Joaquim suspirou aliviado. Ergueu os olhos para Jorge, ainda mantendo o tom subserviente: — Sr. Junqueira, fiz tudo o que exigiu. Será que o senhor poderia mandar soltar os meus pais e suspender o cerco aos meus negócios?
Enquanto falava, sacou o celular com uma expressão suplicante e mostrou a tela para Jorge: — Desde a madrugada, as ações de todas as minhas empresas, legais ou não, despencaram vertiginosamente. O prejuízo já se aproxima dos cem milhões...
Ao ouvir essa revelação, tudo fez sentido para Helena.
A atitude de Joaquim...
Tudo se devia ao fato de Jorge ter feito a família de Joaquim refém e atacado o conglomerado do mafioso.
Ela sempre acreditou que a influência de Jorge estivesse restrita apenas à região de Arboleda.
Nunca imaginou que, mesmo fora de lá, ele ainda detivesse tanto poder...
Mas, não estava sem sinal ontem à noite? E ele não ficou ao seu lado lendo o jornal o tempo todo?
Quando foi que ele orquestrou tudo aquilo?
— Não tenha pressa.
— Ainda não vi o Carlos Bento e os outros — disse Jorge, lançando um olhar a Joaquim, com a voz serena.
Joaquim entendeu o recado imediatamente e entregou um molho de chaves a Jorge: — Eles estão trancados num galpão no subsolo deste prédio.

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