No final, Sérgio Serra acabou indo com Flávia Cruz.
Isabel Ribeiro ficou de pé sob o vento frio, observando aquele Maybach preto acelerar para longe. A última pontada de emoção em seus olhos finalmente morreu, dando lugar a uma calma glacial.
Primeiro a cena suspeita escondida num depósito, e agora ele a jogava para escanteio novamente por causa da Flávia.
Nádia Serra encarou Isabel com os olhos cheios de sarcasmo. “Isabel, agora você entende? Basta a Flávia dizer uma palavra e o meu irmão larga tudo para ficar com ela. E você, o que pensa que é?”
Isabel sorriu, num tom de deboche de si mesma, os cantos dos lábios se erguendo. “Eu não sou uma coisa qualquer. Você, por outro lado, com certeza é, e não parece valer muita coisa.”
Após dizer isso, ela simplesmente virou as costas e foi embora.
Nádia bateu os pés, irritada: “Isabel, por que está tão orgulhosa? O meu irmão não te ama! Acabou de ser largada e continua toda metida! Você não tem um pingo de amor-próprio?”
Ouvindo aqueles gritos nas suas costas, Isabel pensou que aquilo era mesmo vergonhoso. A amante tinha roubado o seu homem bem diante dos seus olhos. Que fracasso!
Ela se encolheu nas roupas, caminhando em frente, com o coração tão frio quanto o próprio corpo.
Foi então que o som de uma buzina de carro ressoou atrás dela. “Sra. Serra, por favor, entre!”
Isabel hesitou, e o motorista disse: “O jovem mestre Domingos me pediu para levá-la de volta.”
Ivan Domingos?
Como ele soube que Sérgio a tinha deixado plantada ali?
Isabel estava com preguiça de pensar naquilo. Simplesmente entrou no carro. Pegar um resfriado e afetar o bebê não seria nada bom.
Naquela noite, Sérgio não voltou para o Parque das Palmeiras.
Isabel também não ficou o esperando. Ela dormiu profundamente, até ser acordada, na manhã seguinte, pelo toque insistente do telefone.
Ao ver o identificador de chamadas, despertou num instante e apertou o botão para atender.
“Srta. Ribeiro, o acidente de três anos atrás definitivamente não foi um imprevisto.”
A voz do detetive particular Luccas soou baixa, mas bateu nos tímpanos de Isabel com o peso de uma marreta.
Ela sentou-se na cama num solavanco, as juntas dos dedos esbranquiçando-se enquanto segurava o celular com força. “O que você descobriu?”
“Depois das minhas investigações e entrevistas nestes últimos tempos, o motorista que causou o acidente ficou rico do nada uma semana antes da batida. Ele pagou à vista um apartamento de luxo no centro da cidade para o filho, para que ele pudesse se casar.”
“Isso não prova nada, não é?”
“Antes de ficar rico, ele foi diagnosticado com câncer de fígado, e o médico estimou que ele viveria no máximo três anos. O filho dele estava passando por um momento difícil, porque a namorada estava ameaçando terminar por não terem uma casa para onde ir morar após o casamento.”

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