Murilo não aceitou, levantando-se de um salto.
— Irmã, não volta com ele. Aquela boca nojenta parece que foi mordida por um cachorro, ele não te merece!
Dizendo isso, puxou Isabel pela mão, colocando-a atrás de si para protegê-la.
— Seu desgraçado, nem pense em arruinar a vida da minha irmã de novo.
Isabel revirou os olhos mentalmente.
Um sorriso frio passou pelo rosto impassível de Sérgio. Ele olhou para Isabel e disse em um tom sombrio:
— Realmente, fui mordido por um cachorro. Um cachorrinho descontrolado.
— E você ainda tem orgulho disso!
Murilo fez menção de avançar de novo, mas foi contido por Isabel.
— Chega. Fazer escândalo na delegacia? Você não quer sair daqui?
— Garoto, quando você criar asas, aí sim pode tentar defender a sua irmã. Um frangote desses querendo dar uma de herói. — Sérgio empurrou Murilo para o lado e puxou Isabel em direção à saída. — Passe a noite aqui e reflita. Você precisa pagar pelas suas atitudes impulsivas.
Isabel foi arrastada por ele, sem conseguir se soltar. Mas sabia que, se provocasse Sérgio, a situação de Murilo só pioraria.
Olhou para trás e avisou:
— Eu estou bem, não se preocupe. Amanhã de manhã venho te buscar.
— Irmã, não tenha medo dele! Por mais dinheiro e poder que ele tenha, não está acima da lei. A culpa é dele por te trair!
Murilo gritava enquanto era segurado pelos policiais, só podendo assistir de longe Isabel ser levada por Sérgio.
No carro, Isabel sentou-se encostada na janela, fuzilando o homem relaxado ao seu lado com o olhar.
As luzes neon da cidade projetavam sombras que brincavam no rosto dele.
As sobrancelhas marcantes, os olhos profundos, o nariz reto, o maxilar definido e os lábios finos... Aquele rosto era exatamente o seu tipo. Mesmo agora, ela não podia negar o quão atraente ele era.
— Ficar me encarando assim... está tentando me seduzir?
O canalha realmente não devia abrir a boca. Bastou falar para que o ódio dela voltasse com força total.
O tom indiferente fez Isabel trincar os dentes.

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