Isabel arregalou os olhos para ele.
— Sérgio Serra, você não tem vergonha na cara?
— Eu só disse que tinha notícias sobre um doador de rim. Não disse mais nada.
Isabel pensou que, já que estava presa ali no carro com ele, não custava nada tentar descobrir algo. Mas não esperava aquela resposta do canalha.
Se ele não tivesse nenhuma notícia de verdade, a humilhação que sofreu hoje nas mãos de Juliana e Nádia Serra teria sido em vão.
E pensar que antes ela acreditava que ele ainda tinha um pingo de decência e não brincaria com a vida da tia dela.
Conclusão precipitada. Aquele homem era podre, não tinha escrúpulos.
Mas agora não adiantava bater de frente. Teria que jogar macio. O importante era não sair perdendo; no futuro, não daria mais colher de chá para ele.
— Sérgio... A situação da minha tia é muito grave. Ela precisa urgentemente de um rim. Se você realmente sabe de algo, por favor, me diga. Desde o acidente da minha mãe e do meu tio, poucas pessoas foram boas comigo, e a minha tia cuidou de mim a vida toda.
O rostinho de Isabel assumiu uma expressão de pura tristeza, os lábios vermelhos apertados, como se estivesse prestes a chorar a qualquer segundo.
Sérgio olhou para ela, franzindo levemente as sobrancelhas. Sua atitude pareceu suavizar um pouco.
— Ouvi alguns rumores.
Isabel quase suspirou de alívio, até ouvi-lo continuar no seu tom frio de sempre:
— Mas como nós vamos nos divorciar, eu não vejo motivo para me intrometer nos problemas dos outros.
Desgraçado! Ele estava claramente jogando com ela.
Isabel mordeu o lábio e depois abriu um sorriso doce, com os olhos curvados em meia-lua.
— Como assim "problema dos outros"? Ainda não estamos divorciados, estamos? Além disso, eu não briguei com você, não fiz escândalo e ainda abri mão do meu lugar para vocês ficarem juntos. Sou tão compreensiva... Seja pelo motivo que for, você não acha que... deveria me dar uma forcinha?
Na verdade, o que Isabel queria dizer era que ele lhe devia uma compensação pesada, mas, com medo do ego frágil daquele canalha, mudou o discurso no meio do caminho.
— Não fez escândalo, é verdade. — Sérgio virou os olhos para ela. — Mas ontem quase me enxotou de casa.
— Que exagero. A casa é minha. Eu arrumei todas as suas coisas com o maior cuidado e mandei entregar lá no Condomínio Lago Sereno. Não joguei nem um par de meias na rua! Eu vendi as minhas bolsas, mas não vendi nenhum dos seus relógios. Foi um término pacífico!
— Você vendeu as bolsas?

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