Renata sentiu um calafrio de repulsa.
Mas agora, ela não tinha escolha a não ser aceitar. Ela forçou um sorriso, agarrou as beiradas da mesa e disse:
— Tudo bem. Vamos conversar.
A policial ficou ao lado, esperando.
O Dr. Rodrigo assentiu educadamente, sentou-se na cadeira de frente para Renata e tirou um contrato do bolso. Ele o empurrou em direção a ela e disse com cortesia:
— Srta. Rocha. A Srta. Sabrina sofreu muito física e psicologicamente por sua causa. Mas, como trabalharam juntas por um tempo, ela não tem a intenção de abrir um processo judicial contra você...
Ao ouvir essas mentiras absurdas, Renata se sentiu extremamente enojada. Ela interrompeu com frieza:
— Pare com a bobagem. Quem acreditaria nisso?
O Dr. Rodrigo parou, mas ainda manteve o sorriso educado e disse:
— Então serei franco. A intenção da Srta. Sabrina é que você se desculpe em uma coletiva de imprensa amanhã. Desde que você peça desculpas, ela vai isentá-la do processo.
Ah...
Renata quase riu de raiva.
Quanta generosidade.
Ela não tinha feito nada, mas queriam que ela se desculpasse.
— Isso foi ideia do Wilson ou da Sabrina?
O Dr. Rodrigo parou.
E Renata entendeu.
Era a ideia de Sabrina, mas Wilson tinha concordado!
Ele simplesmente não considerava a situação dela.
Renata respirou fundo e concordou com a cabeça. Seus olhos ficaram vermelhos aos poucos. Naquele momento, não sabia se sentia pena de sua própria tristeza ou se lamentava a insensibilidade do homem.
Mas nada disso importava!
Renata fechou os olhos e soltou um longo suspiro. Ao abrir os olhos de novo, rasgou o contrato e o jogou contra o Dr. Rodrigo.
— Volte e diga que eu não vou me desculpar. Se quiserem me processar, estarei à disposição. Quanto à coletiva de imprensa de amanhã, também vou comparecer.
O Dr. Rodrigo suspirou, achando que ela estava louca. Ele se levantou, sacudiu os pedaços de papel da roupa, com preguiça de dizer mais alguma coisa. Apenas largou a frase, num tom frio:
— Espero que você tenha essa mesma coragem quando enfrentar os repórteres e a mídia amanhã!
E foi embora.
Mas Renata estava extremamente calma. Jamais esteve tão calma.
A policial não aguentou mais:
— Srta. Rocha, talvez você não saiba. A evidência já está clara e a opinião pública na internet está toda apontando para você...
Renata sabia o que ela queria dizer. Ela achava que era melhor se desculpar do que ir para o tribunal.
Mas ela era inocente!
Renata sacudiu a cabeça e mudou de assunto:

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