O rosto de Renata ficou vermelho. Ela estava morta de raiva, debatendo-se sem forças como um peixe na tábua de cortar.
— Wilson, seu babaca! Não pode...
Wilson soltou um murmúrio leve. Depois de fazer tudo, devolveu o celular.
No entanto, abraçando a pessoa em seus braços, ele perdeu a vontade de soltá-la...
Foi uma reação instintiva do corpo, que ele mesmo não percebeu.
Renata se sentiu humilhada e teve vontade de morder o braço ao redor de sua cintura.
Felizmente, o toque do celular começou a soar naquele momento.
Wilson franziu a testa, incomodado, e soltou uma mão para pegar o celular.
Renata aproveitou para empurrá-lo, afastou-se, penteou o cabelo com os dedos e bateu nas mangas franzindo a testa, como se repudiasse totalmente o toque dele...
Wilson reparou nisso, e a expressão antes satisfeita fechou-se na hora.
Ela sentia tanto nojo dele assim?
Agora, se ele a tocasse, ela não queria mais?
Antes, ela grudava nele por vontade própria.
O celular continuava tocando.
Com o rosto frio, Wilson atendeu a ligação.
— Wilson, onde você está? — A voz do outro lado era de um amigo de seu círculo social, Juliano Meirelles, um jovem herdeiro.
Wilson manteve os olhos em Renata. Irritado, ele acendeu um cigarro e disse: — O que foi? Fala logo.
— Nada de mais. É que a Sofia voltou ao Brasil e deu uma festa no Lounge Imperial. Vem aqui prestigiar e dar uma moral.
Sofia Santos.
A filha mais velha da família Santos.
A nora escolhida por Dona Letícia. Ela havia voltado?
Renata arqueou as sobrancelhas, bem animada. Se Wilson ficasse com Sofia, ela se libertaria, e Sabrina também estaria acabada.
Wilson obviamente não sabia o que ela estava pensando. Mas, ao vê-la sorrir, sentiu um aperto no peito.
Ela estava rindo do quê?


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