Contudo, antes que o momento chegasse, a tragédia aconteceu.
Pensando bem hoje em dia, talvez o desaparecimento de Luna e do casal Martins tivesse sido premeditado por alguém!
Cristiano apertou o volante; seu rosto foi coberto gradualmente por uma fina camada de gelo.
...
Renata não sabia que estava sendo seguida. Após chegar ao bar, ela entrou de coração pesado.
A essa hora, embora lá fora o sol brilhasse, no interior do bar as luzes já piscavam intensamente. Pessoas dos mais diversos tipos conversavam, dançavam na pista... Algumas se empolgavam demais, tiravam as camisas e beijavam quem estivesse ao lado. Tudo muito ousado!
A cena lembrava um ambiente de festas licenciosas.
Renata estava um tanto em choque. Era sua primeira vez lá, nunca antes estivera num lugar como aquele.
Porque Wilson não gostava.
Em seu íntimo, ele tinha traços de machismo; preferia que as mulheres fossem dóceis.
Por isso, naqueles três anos, ela se portara exatamente como ele gostava. Até mesmo seus cabelos eram os fios longos, pretos e lisos que ele apreciava!
Renata deu um sorriso amargo, achou uma mesa isolada e pediu um Bloody Mary.
Agora ela já não o amava, ela quebraria todas as correntes do passado!
O bartender serviu a bebida prontamente. Ao ver sua aparência doce, que destoava completamente daquele ambiente, ele não pôde deixar de fitá-la com admiração...
Renata ajeitou os cabelos longos e deu um pequeno gole na bebida. O álcool era forte; assim que o líquido desceu, sua garganta e estômago queimaram como se tivessem sido incendiados.
Aquilo a fez lembrar, num lapso, da primeira vez em que Wilson a levara para beber em um evento social.
Aquela tinha sido a primeira vez que ela ingerira um destilado com tão alto teor alcoólico. Bastaram dois goles para que a garganta e o estômago protestassem de dor.
E na época, Wilson também havia sido tão atencioso; ao perceber o quanto ela estava mal, não a deixou beber mais, em seguida a acompanhou até casa e comprou-lhe remédios contra a ressaca.
Ela foi se afogando gradualmente naquela gentileza, incapaz de se soltar.
Mas, aos poucos, ele mudou...
Talvez a frase fosse mesmo verdadeira:
Não existe homem fiel neste mundo, depois que conquistam, não dão mais valor!
Renata, sentindo-se um pouco mal, franziu a testa.
Ela pressionou o estômago antes de dar o segundo gole. Ao soltar a taça, já levemente embriagada, murmurou a ofensa com a voz trêmula.
— Canalha...
— Decepção amorosa?
Uma voz masculina grave e profunda soou de repente em seu ouvido.

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