Wilson raramente participava desses jogos infantis.
Mas dessa vez...
Ele olhou para Renata, pegou a mão dela e a fez sentar ao seu lado. As mãos grandes apertavam as dela, e ele inclinou-se de modo bem íntimo: — Quer jogar?
Renata, pega de surpresa, deixou a mão cair sobre a coxa dele. A sensação do músculo firme fez as bochechas dela queimarem na hora, e ela recolheu a mão, trêmula. Ainda não conseguia agir de forma íntima com ele.
Mas ela sabia que ele estava encenando.
Ela suportou e forçou um sorriso carinhoso para ele. Levantando os olhos úmidos, respondeu: — Se você quer jogar, eu te acompanho!
O olhar de Wilson escureceu, e ele fez um carinho no rosto macio.
— ...Então você me acompanha.
— Tá.
...
Sofia viu aquilo e mastigou o próprio lábio de raiva.
Ela se virou e olhou para alguém atrás dela.
A pessoa acenou, compreendendo.
Pouco depois, o jogo começou. Compravam cartas para ver o valor. A pessoa com a carta maior fazia a pergunta para quem tirasse a menor.
Na primeira rodada.
Sofia perdeu. Ela jogou o cabelo para trás e escolheu a consequência.
A pessoa que tirou a carta maior pediu que ela beijasse por três minutos um dos homens presentes!
No mesmo instante, uma risada tomou conta do ambiente. Todos olhavam para Sofia, Wilson e Renata...
Mas o homem não falou nada!
Renata estava sob o alvo daqueles olhares zombeteiros, sentindo-se bastante constrangida e triste.
Wilson a chamara para humilhá-la, não?
Ele se sentiu contrariado e quis vingar-se a expondo daquela forma.
Renata abaixou a cabeça, os cantos dos olhos ficando vermelhos. Ela pegou o copo de bebida e deu um gole, o líquido ardendo a garganta...
Sofia lançou a ela um olhar de desprezo e andou até Wilson.
Wilson franziu a testa, esticou a mão em silêncio e colocou-a atrás da cintura de Renata. Era um gesto de posse. A mão cobrindo a cintura fina formava um contraste forte e chamativo...
Sofia não era ingênua e compreendeu o que Wilson quis dizer.
Sem jeito, ela parou de andar, preferindo evitar mais vergonha. Ela fuzilou Renata com os olhos e voltou para a sua cadeira, forçando um sorriso para todos:
— Eu e o Wilson não estamos nesse nível, seria inapropriado...
A frase tinha sentido duplo.
— A Renata ainda não tomou um pé na bunda, seria inapropriado.
Todos entenderam e encararam Renata com bastante desprezo.
Renata não era tonta e obviamente percebeu. Ela cerrou os dentes, ergueu a cabeça e virou o resto da bebida. A mão chegou a tremer quando colocou o copo na mesa.
Ela riu amargamente...
O choque era geral. — O quê?
— Ela falou a coisa certa? Ela não o amava de verdade? Na época ela era caidinha por ele, seguia ele por todo lugar todo dia...
Sofia também ficou surpresa.
Mas pensou que Renata só estava se fazendo de difícil...
Que vagabunda.
...
Wilson ficou frio.
O olhar dele parecia querer perfurar Renata...
Renata percebeu aquilo, a coluna endureceu, mas ela continuou a falar: — E no futuro não vou amar também!
Os olhos de Wilson anunciavam uma tempestade.
Ele pegou na mão dela de repente e, sob os olhares atônitos de todos, puxou-a para fora do camarote.
Sofia não aceitou e chamou por ele, inconformada: — Wilson, a festa nem acabou!
O homem não olhou para trás!
Ele foi embora com Renata.
Renata soltou um gemido de dor ao ser puxada, mas não se arrependia!
Naquele momento, só sentia a mente e o corpo livres!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...