Dez horas da noite.
Cynthia Laginha, que acabara de encerrar seu trabalho de meio período como tutora, vestia uma fantasia de palhaço enquanto era conduzida por um funcionário a um salão privado.
Sua colega de quarto, Rita Noronha, trabalhava como freelancer neste clube. Naquela noite, seu namorado apareceu de surpresa para visitá-la, então Rita pediu a Cynthia que a substituísse.
Disseram-lhe que um grupo de jovens ricos e mimados estava dando uma festa ali. Tudo o que ela precisava fazer era usar a fantasia de mascote e entretê-los por dez minutos para quinhentos mil reais, além de possíveis gorjetas.
Era praticamente dinheiro fácil.
Assim que Cynthia entrou no salão, seu olhar recaiu sobre um rosto familiar, e seus passos pararam bruscamente.
— Yadson, você ainda não se cansou desse seu joguinho de fingir que é pobre? Tantas garotas gostam de você, por que foi se interessar justo por uma pobrezinha?
Um canto dos lábios de Yadson Fernandes se curvou.
— Você não entende. As garotas que dizem gostar de mim só estão interessadas no meu dinheiro. Só a minha Cynthia me ama de verdade. Ela trabalha em três empregos para que eu possa comer e me vestir um pouco melhor. Outras mulhers fariam isso?
Quem falava era seu namorado de mais de dois anos, Yadson.
Dez minutos antes, ele havia lhe desejado boa noite.
Um joguinho de fingir que é pobre?
A mente de Cynthia explodiu com um zumbido.
Yadson lhe dissera que sua família lhe dava apenas duzentos e cinquenta reais de mesada por mês, o que mal dava para comer, forçando-o a viver de arroz branco com a sopa gratuita do refeitório.
Como ele havia dito, para que Yadson pudesse se alimentar e se vestir melhor, ela arranjou três empregos de meio período.
No último ano da faculdade, com poucas aulas, ela passava os dias preparando chás em uma loja de bubble tea, as noites servindo mesas em uma lanchonete e os fins de semana dando aulas particulares para crianças.
Quase não tinha tempo para descansar.
Ela não se permitia comprar um vestido de cem reais, mas não hesitava em presenteá-lo com um par de tênis de mais de quinhentos.
Ela mesma comia o prato vegetariano mais barato do refeitório da universidade, mas, nos encontros com Yadson, levava-o a jantares caros de centenas de reais, e era sempre ela quem pagava.
Sempre que o cansaço a fazia querer desistir, ela se lembrava de Yadson.
Ele lhe dizia com os olhos cheios de ternura:
— Exatamente, seria ridículo se o filho da família Fernandes se apaixonasse de verdade por uma pobretona daquelas.
— Essas garotas com falta de figura paterna são as mais fáceis de enganar. Algumas palavras bonitas e elas se entregam de corpo e alma a você. Hahahaha.
— Só a Carolina está à sua altura.
— A Carolina chega a qualquer momento. Se ela descobrir que você arrumou uma namorada na faculdade, como vai se explicar?
Yadson sorriu. — A Carolina não me deixou para ir para o exterior por três anos? Se ela descobrir, que seja. Posso usar a Cynthia para provocá-la um pouco.
— Se a Cynthia soubesse que uma bolsa que você compra para a Carolina custa cento e cinquenta mil reais, ela choraria até morrer, não é?
— É verdade, é verdade. Você enganou a Cynthia por dois anos fingindo ser pobre, comendo e usando o que era dela, enquanto ela trabalhava em três empregos para te sustentar. Se ela descobrisse que você gasta fortunas com outra mulher, acho que enlouqueceria de raiva.
O sorriso nos lábios de Yadson desapareceu. Após um momento de silêncio, ele disse:
— A Cynthia não saberá de nada.
***

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