Ao passar, Cynthia viu a longa série de dados de Wendell e percebeu, de relance, que dois valores na nona linha estavam errados.
Ela falou sem pensar.
— Você calculou errado na nona linha. Os resultados deveriam ser 145,4795 e 126,3812.
Normalmente, Wendell mantinha distância de Cynthia no laboratório, quase nunca falando com ela.
Devido à diferença de formação acadêmica, com exceção de Allan, ninguém no laboratório levava Cynthia a sério.
Eles tinham preconceito contra Cynthia, achando que ela era apenas alguém que entrou por QI, que não estava ali para estagiar e aprender, mas sim para enriquecer seu currículo.
Eles acreditavam que Cynthia estava apenas passando o tempo no laboratório e que, ao final, com a menção de ter trabalhado na equipe do Sr. Adonias Leitão, inúmeras grandes empresas fariam fila para contratá-la.
Naquele momento, ao ouvirem as palavras de Cynthia, eles se entreolharam, e a dúvida era visível nos olhos de todos.
Wendell fez uma careta de desdém.
Allan era o que tinha a maior habilidade de cálculo mental entre eles e também o mais competente.
Se nem mesmo Allan conseguia ver o erro, como uma estudante de graduação como Cynthia poderia identificá-lo de relance e ainda dar a resposta correta?
Isso era impossível.
Wendell zombou friamente.
— Você não está dizendo isso de propósito só para chamar a atenção? Acha que vamos acreditar em qualquer número que você inventar? Pensa que somos idiotas?
Eliane cruzou os braços e olhou para Cynthia com um sorriso zombeteiro.
— Cynthia, Wendell calculou esses dados dez vezes e não encontrou nenhum erro. Nem mesmo Allan, com sua super habilidade de cálculo, percebeu algo. E você consegue ver o erro de relance? Está brincando com a gente?
Margarida concordou.

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