— O Bento Soares e a mãe dele fizeram algum movimento suspeito até agora? — perguntou o Sr. Ricardo.
— Os homens encarregados da vigilância acabaram de ligar. Disseram que não notaram nada de anormal. Eles continuam seguindo a rotina de sempre. — relatou o funcionário ao lado.
O empregado fez questão de puxar as imagens das câmeras de segurança e entregou um tablet aos anciãos para comprovar.
Os três analisaram as gravações, e a suspeita sobre Rafael Soares apenas aumentou.
— Vejam só! — exclamou o Sr. Salvador, apontando para a tela. — Dos três, o único que resolveu ligar para a Helena Gomes bem agora foi o Rafael! Os outros não fizeram absolutamente nada. Isso não deixa tudo claro?!
Ele jogou o tablet sobre a mesa.
— Não me culpem por pegar no pé do Rafael. Se ele realmente não tivesse culpa de nada, eu não diria uma palavra contra ele!
O Sr. Ricardo, que antes ainda nutria um pouco de confiança em Rafael, começou a balançar.
Ver que os outros suspeitos permaneceram quietos enquanto Rafael agia de forma tão errática foi o suficiente para fazê-lo duvidar também.
— Se a situação é essa, precisamos dobrar a vigilância em cima do Rafael! — decretou o Sr. Ricardo, respirando fundo antes de encarar o funcionário. — Quero que fiquem de olho nele vinte e quatro horas por dia. Não tirem os olhos dele nem por um segundo. Qualquer atitude suspeita deve ser reportada a mim imediatamente!
— Sim, senhor!
O funcionário respondeu apressado e saiu para organizar a equipe.
A ordem tinha que ser cumprida à risca.
Aquele escândalo havia enfurecido os anciãos a tal ponto que até mesmo os empregados estavam sob suspeita agora.
Se cometessem qualquer deslize, a fúria recairia sobre eles.
— Se querem a minha opinião, acho que precisamos conversar com a Helena Gomes. — pontuou o Sr. Sebastião. — Essa história já respingou nela. Talvez ela saiba de alguma coisa que não estamos vendo.

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