Todos sabiam o quanto ela idolatrava o filho mais velho.
Por isso, ela era a suspeita menos provável.
— Será que erramos o alvo desde o início? E se não foi nenhum dos três? E se foi algum funcionário? — sugeriu o Sr. Salvador, não conseguindo se conter.
— Não me surpreenderia se tivéssemos algum empregado imbecil vazando as coisas. Isso não pode ser descartado.
A frase do Sr. Salvador fez os outros dois anciãos mergulharem em um silêncio tenso mais uma vez.
Rafael estava praticamente limpo. Bento e a mãe não tinham motivos lógicos para armar aquilo.
Só restavam mesmo os empregados da mansão.
— Façam uma varredura completa nos funcionários. Ninguém sai impune. — decretou o Sr. Sebastião, com a voz gélida.
— Sim, senhor! — concordaram o Sr. Salvador e o Sr. Ricardo.
O que os três anciãos não imaginavam era que, naquele exato momento, Bento Soares assistia a tudo.
Ele havia acessado as câmeras da casa principal e gravava cada palavra daquela reunião.
Bento fechou o aplicativo de monitoramento, jogou o celular na mesa e se encostou no sofá com força, possesso de raiva.
Ele nunca imaginou que Rafael usaria a tática de confessar a aliança com a Vanessa.
E o pior: essa jogada idiota acabou se tornando o álibi perfeito para o priminho.
Agora, os velhos pararam de desconfiar de Rafael e a mira estava voltada para ele e sua mãe. Embora tivessem desviado a atenção para os empregados por ora.
Mas ele sabia que, se investigassem a fundo, descobririam que os funcionários não tinham nenhuma relação com o vazamento.
Quando os empregados fossem descartados, a investigação voltaria com força total para o seu colo e de sua mãe.
E, se isso acontecesse, de nada adiantaria sua mãe assumir a culpa!
A frustração corroía Bento. Ele esfregou as têmporas com força, tentando raciocinar.
De repente, um estalo. Uma ideia sombria cruzou sua mente.

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