"Valentina"
O Fausto não pediu licença, avançou a passos largos e segurou o braço do Breno sem nenhuma delicadeza ou cortesia, levantando o inútil como se fosse um saco de lixo. O playboy soltou um guincho de medo, tentando resistir ao aperto, seu rosto se convertendo numa expressão de pânico. Mas antes que o Fausto pudesse alcançar a porta, arrastando o Breno com ele, a Aurélia desabou por completo no desespero. Ela se levantou em um salto, engoliu todo o orgulho e esticou as mãos trêmulas na minha direção, implorando com lágrimas de desespero.
- Não! Pelo amor de Deus, Valentina, para! Não faça isso com o meu filho, eu imploro! Ele não tem para onde ir. Deixe o Breno ficar, eu pago as despesas dele!
Eu ergui a minha mão firme, fazendo o Fausto parar, mantendo o playboy praticamente suspenso no ar. Eu encarei a Aurélia. Eu não podia negar que ela era uma boa mãe, ou pelo menos uma mãe que protegia a cria.
- Perua, você precisa deixar esse inútil virar homem. Ficar assumindo as responsabilidades dele só vai mantê-lo como esse inútil imprestável e sem perspectiva na vida. Aí, imagina se você morre, perua? Porque, assim, você já está com os anos avançados, não é?! Então, pensa, você precisa preparar o seu filho para enfrentar a vida. - Eu sugeri e ouvi o ranger de dentes da Aurélia. - Além do mais, o dinheiro que você recebe, sai do bolso do meu marido, aceitar que você banque as despesas do inútil seria um contrassenso, não acha?!
- Sua insolente! - Ela grunhiu, mas engoliu o orgulho porque naquele momento eu tinha a vantagem. - O que você quer para não expulsar o meu filho?
- Perua, como eu sou uma mulher de bom coração, eu vou dar uma nova oportunidade para o seu filhinho não morrer de fome na rua. - Eu declarei de queixo erguido. - O inútil pode continuar morando nesta casa, mas com uma condição: já que ele não conseguiu um trabalho, a partir de amanhã de manhã ele será o novo faz-tudo oficial da propriedade. Vai usar o uniforme e vai estar sob as ordens da D. Marta, fará tudo o que ela mandar, tudo e qualquer coisa, sem reclamar. Se ele reclamar de uma única tarefa ou não andar na linha, o Fausto j**a esse inútil na rua. Essa é a condição. Vai ou fica?
- Eu não vou ser tratado como um reles empregado da casa. Não vou aceitar ordens de uma mulher que tem que me servir. - O Breno protestou.
- Se é assim, Fausto, pode levar. - Eu dei de ombros.
- NÃO! - A Aurélia gritou. - Ele fará o que você disse, ele será o faz tudo da casa. Obedecerá a Marta em tudo o que ela disser. Deixa ele ficar, Valentina. Eu mesma vou garantir que ele ande na linha.
Eu estreitei os olhos para a Aurélia, analisei cada músculo tenso do rosto dela. Ela estava falando sério, ela tinha horror a deixar a cria solta no mundo.
- O que você me diz, inútil? - Eu me virei para o Breno. Ele olhou para a mãe desesperado, com os pés mal tocando o chão.
- E-eu a-aceito! Eu vou fazer o que você mandou. Agora manda o seu gorila adestrado me soltar. - Ele declarou com a voz mais fina e o Fausto o ergueu um pouco mais, intensificando o aperto. - Por favor, Valentina! Eu faço qualquer coisa. - Ele se desesperou. Eu desconfiei que ele estava prestes a molhar as calças. O Fausto revirou os olhos, impaciente com o Breno.
- Tem certeza, inútil? Porque se você fizer corpo mole, eu não vou te dar a terceira chance. - Eu avisei e vi o Breno assentir vigorosamente com a cabeça, olhando de lado para o Fausto.
- Eu entendi. Eu aceito a sua condição. - O Breno se apressou a dizer. - Agora manda ele me soltar.


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