– Com licença.
Uma voz firme chamou minha atenção antes mesmo de sentir a sua presença. Fechei os olhos, resmungando a minha má sorte e olhei para trás. O “deus grego” me olhava com curiosidade.
– O que deseja, senhor?
– Gostaria de saber a razão pela qual não fui atendido pela senhorita.
Arqueei a sobrancelha, considerando-o louco.
– Eu não trabalho aqui, estava ajudando uma amiga. – Respondo com educação olhando-o nos olhos por um instante. Vejo meu blazer no chão com uma marca de sapato no mesmo. Peguei-o do chão e tento esconder minha frustração ao olhar para ele. – Que já o estava atendendo há poucos minutos.
– Ela não era a mais qualificada para me atender.
– E por acaso eu sou?
Seu olhar percorreu o meu corpo, que responde com um tremor involuntário.
– Talvez.
O terno preto impecável cobria perfeitamente seus ombros largos e sua pele cor de caramelo arrancava suspiros das mulheres. Levantei a cabeça para olhar-lhe nos olhos âmbar, que me sondaram com curiosidade. Sua boca era perfeita e seus cabelos negros eram na altura de seu queixo.
Não sei o que deu em mim, mas desejei percorrer minhas mãos no rosto dele só para saber não estou sonhando.
– É uma pena. – Dou um passo para trás, mantendo uma atitude profissional. – Tenho certeza que Mandy e a Sr.ª Souza vão te atender como se deve. – E sem esperar uma resposta, sai da lanchonete.
Atravessei a rua a passos rápidos e dei a mão para pegar o ônibus que passava naquela hora. Entrei nela como se minha vida dependesse disso e pus os fones no ouvido enquanto o carro andava lentamente. Poderia parar para refletir um pouco sobre o que tinha acontecido ali, mas não quis. Preferi acreditar que era mais um homem querendo debochar da minha cara.
Juliana Ribeiro, a garota que cai na lábia de qualquer um. Essa era a fama que eu tinha na cidade. Por desejar tanto amor, interpretei as aproximações de alguns homens de maneira errada e o resultado disso fora um coração partido. Dois relacionamentos que não duraram tanto me mostraram o quanto às pessoas eram cruéis e superficiais. Beleza era tudo o que importava e eu era apenas um problema.
Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos ruins, respirei fundo e olhei para a janela. A música Not Today da banda BTS tocava nas alturas em meus ouvidos, meus pés acompanhavam o ritmo e as pessoas entravam no ônibus, lotando os lugares. O carro já era desconfortável e o motorista fazia questão de pegar mais gente, tornando o carro sufocante e atrasando minha chegada ao trabalho.
- Coloca no teto, motorista. - passageiros gritavam, furiosos.
Tentei me concentrar na letra da música, mas ficava difícil à medida que o carro avançava. E quando eu não achava que meu dia fosse piorar, em uma curva arriscada, o homem me imprensou na janela e o líquido da lata caiu sobre meu blazer. Eu queria chorar de frustração, porque justo nesse momento o carro parou em meu ponto.
Morrendo de vergonha com os olhares de nojo do povo, esperei pacientemente todos descerem do carro e quando me vi sendo a única a estar de pé, fui até o motorista. Olhando-me com compaixão, ele cobrou a metade do valor da passagem e me desejou um bom dia. Agradecida, desci.


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