As pessoas à minha volta ofegaram e alguém tentou me puxar pela blusa. Empurrei-o firmemente, mas sem machucar. E daí que se machucasse? Ninguém me queria aqui.
Cruzei os braços em frente ao corpo e não falei mais nada. Um silêncio mortal caiu sobre nós me deixando ainda mais nervosa. Um brilho bem humorado surgiu nos olhos dele, mas sua voz soava fria e profissional:
– Não sei do que está falando Srtª, mas sugiro que pare com esses argumentos estúpidos. – Levantou e deu um passo em minha direção.
- Acho que tenho um ponto, já que você está aqui. Qualquer pessoa em seu juízo perfeito reagiria da mesma forma.
Era uma desculpa fraca e o estranho sabia disso. Ele inclinou em minha direção e eu pude sentir sua respiração em meu pescoço. Ficando próximo a mim, sentenciou:
– Você não vai gostar dos resultados se agir assim.
Senti-me pequena e indefesa como nunca me senti antes. Não chegava nem aos ombros dele e precisei fazer um esforço para esconder meu espanto. Nossos olhares se cruzaram e desejei com todas as minhas forças conter minha irritação, mas nem sempre as coisas saem como eu quero. Segurei seu terno impecável e o mantive no lugar. Ele se nivelou ao meu tamanho com incredulidade e sem dar tempo para ele reagir, aproximei meus lábios de seu ouvido.
Uma atitude ousada para alguém que acabei de conhecer, mas aquele homem não era comum e eu não me importava com mais nada.
– Sua proposta é tentadora, mas já vivo um tormento aqui.
– E por quê?
– Simples. Porque trabalho em um lugar onde não sou adequada. – Dei um passo para trás e sorri polidamente. – Tenha um bom dia.
Caminhei com uma confiança inexistente, a barriga dando voltas e mais voltas enquanto voltava para o depósito. Os olhares que recebi pelo caminho eram de assustados a irônicos. Seria um milagre se eu não fosse despedida hoje mesmo. Quando não vi mais ninguém, corri para dentro do depósito e tranquei a porta. Apoiei meu corpo na porta e soltei o ar que estava preso em meus pulmões.
O que foi que eu fiz?
Voltar pra casa naquela noite foi mais tranquilizador que nos outros dias. Considerando a estupidez de hoje, as cinquenta ligações que ignorei e a porta que eu havia deixado trancada para não ver ninguém, foi um alívio sair da empresa. Fiz hora extra para não cruzar com meus colegas de trabalho, adiantei quatro projetos que julguei importante e isso tirou um pouco da carga emocional que pesava em meus ombros. Olhei meu celular e suspirei com desgosto.
Eram onze da noite, o que significava que eu teria que ir a pé para casa.
Olhei para os lados, rezando para encontrar um motoboy, sem entusiasmo. Decidi caminhar um pouco para esticar as pernas, e quem sabe pelo caminho eu encontrasse alguém para me levar para casa.
Raramente tive tempo de apreciar as estrelas, mas hoje elas brilhavam no céu como diamantes. O frio da noite me envolvia em seu abraço e o silêncio era reconfortante. Meu coração se apertou, lembrando-me de muitas coisas e pessoas, principalmente da minha família que havia se mudado para a capital ano passado. Por causa do trabalho, ficava mais difícil vê-los. O que me confortava era saber que eles me amavam, a maneira deles é claro.
Chegando à esquina do fórum, suspirei aliviada por ver dois motoboys no ponto de ônibus. Meus pés latejavam quando parei perto de um deles, ajeitando minha bolsa no ombro. Os homens olharam meu corpo com nojo e se entreolharam em resposta. Um deles devia ser alto, suas pernas eram grandes demais para a moto; cabelo crespo e olhos castanhos. O outro era um pouco mais baixo, porém robusto. Cabelos dourados e encaracolados, olhos castanhos e levemente puxados, o que era muito raro. Ambos usavam coletes ridículos na cor amarela, o que me lembrava de guardas de trânsito.
Tossi levemente e perguntei aos dois:
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Amor Inesperado