Trancada por dentro, ela socou a porta até sentir as palmas arderem, chorando até a voz ficar rouca.
Vez após vez, chamou pela mãe e pelo pai, implorando que a deixassem sair.
Mas não importava o quanto gritasse, não importava o quanto suplicasse, a única resposta era a escuridão infinita e o trovão que rasgava seus ouvidos.
Ninguém viria salvá-la.
Lá embaixo, seus pais provavelmente seguravam taças de vinho, conversando satisfeitos—sobre como "caráter se constrói com sofrimento" era necessário.
Depois, quando descobriram que ela não era a verdadeira filha dos Harlow, a expulsaram sem piedade—da casa onde vivera por mais de uma década.
Aquele dia também foi marcado por uma tempestade—relâmpagos e trovões rasgando o céu.
O céu pendia baixo, como se fosse desabar, e gotas pesadas de chuva batiam nela—frias e dolorosas.
Ela se escondeu numa capela meio abandonada, completamente arrasada.
Por isso, lá no fundo, Amelia há muito tempo associava tempestades a tudo de ruim que podia acontecer.
Mas, felizmente, naquela capela decadente, ela conheceu Nora—que chegou como uma santa.
Nora a levou para os Everetts e lhe deu um lar verdadeiramente acolhedor.
Durante os anos com os Everetts, Nora logo descobriu seu segredo.
Sempre que a previsão avisava sobre tempestade, a gentil Nora se preparava com antecedência. Levava consigo o ainda adolescente Evan e Mason, e batia na porta de Amelia.
Aquele calor de família—como raios suaves de sol—penetrava nos cantos úmidos e sombrios do seu passado, expulsando aos poucos a escuridão que a envolvera por tantos anos.
Por um tempo, Amelia acreditou ingenuamente que estava curada.
Mas nunca imaginou que, ao ficar sozinha de novo sob vento e chuva, os medos mais profundos irromperiam como vinhas monstruosas—apertando seu coração até faltar ar.
Se esconder debaixo do cobertor não ajudava em nada.
Amelia não conseguia mais sustentar a fachada.
Ela jogou o cobertor de lado. Ignorando o gesso pesado na perna esquerda, pulou desajeitada num pé só—abraçada ao cobertor—e se empurrou, cobertor e tudo, para dentro do armário.
O espaço apertado e fechado lhe dava uma falsa sensação de segurança.
O trovão continuava rugindo pelo quarto.
Amelia mordeu forte o lábio inferior.
A dor parecia mantê-la um pouco desperta.
Ela fechou os olhos e rezou repetidas vezes, suplicando para que aquele pesadelo acabasse.
Mas o universo parecia decidido a contrariá-la.
O trovão não diminuía—só piorava.
De repente!
Um raio colossal queimou uma marca branca e ofuscante nas pálpebras cerradas de Amelia!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Casamento Sem Toque, Uma Despedida Sem Lágrimas
O livro é bom, mas na página 109 não atualiza mais, o que está acontecendo? Alguém pode ajeitar por favor....