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Um Vício Irresistível romance Capítulo 239

O médico examinou Jaqueline e confirmou que estava tudo normal, soltando um suspiro de alívio.

Mas, ao se virar, deu de cara com o olhar assassino de Simão. O susto foi tamanho que sua voz saiu trêmula.

— S-Sr. Simão...

— Como ela está? Por que ainda não acordou? — Simão perguntou, a voz carregada de impaciência. O olhar que lançou ao médico era afiado como uma lâmina, capaz de cortar um homem ao meio.

O médico não fazia ideia do que tinha feito para irritar tanto aquele patrão. Suando frio, limpou a testa com pressa e respondeu rapidamente:

— Ela está bem, só exausta. Dormiu de cansaço.

Seu rosto estava pálido. Escolheu cada palavra com extremo cuidado, temendo dizer algo errado e enfrentar as consequências.

— Então pode ir embora. E não deixe escapar uma única palavra sobre isso. — Simão ordenou friamente.

O médico jamais ousaria comentar os assuntos de Simão com alguém. Isso seria suicídio.

— Entendido. Com licença.

Antes de sair, pegou um pequeno frasco do kit médico e o colocou sobre o criado-mudo.

— Este é um óleo para as marcas no pescoço dela. Passe algumas vezes e logo desaparecerão.

Sem perder tempo, pegou a maleta e saiu apressado.

Assim que a porta se fechou, Simão se sentou ao lado da cama. Com os dedos, acariciou suavemente a testa franzida da mulher adormecida.

Desde que ela terminou com ele, seis meses atrás, Simão não tocou em nenhuma outra mulher. Agora que a tinha de volta, não conseguia se controlar. Acabara exagerando.

O mais irônico era que Jaqueline vivia postando fotos nas redes sociais, correndo na beira da praia, se exercitando na academia. E, no fim, seu corpo era tão frágil que não aguentava algumas noites seguidas. Ele começava a suspeitar que aquelas fotos eram pura encenação.

Jaqueline despertou de seu sono profundo e, ao olhar o relógio, viu que já eram oito da noite.

Ao se sentar na cama, seus olhos percorreram o quarto familiar e, num instante, uma enxurrada de lembranças desagradáveis invadiu sua mente.

Simão era cruel. Se ela não tivesse desmaiado, será que ele teria parado? Talvez tivesse realmente a matado.

Mesmo assim, Jaqueline permaneceu em silêncio.

A paciência de Simão se esgotou. Ele se inclinou sobre a cama, puxou o cobertor e a ergueu nos braços.

— Que diabos você está fazendo agora?!

Ele sabia que estava errado. Por isso, saiu naquela noite para buscar comida para ela. Mas, ao invés de agradecer, ela o tratava com esse silêncio irritante.

Nos braços dele, Jaqueline não teve outra escolha senão abrir os olhos. Encontrou o olhar feroz dele e murmurou, com a voz fraca:

— Simão, na nossa relação, que direito eu tenho de fazer birra?

A cena dele apertando seu pescoço continuava a assombrá-la. Ela não conseguia encará-lo como se nada tivesse acontecido. Se o irritasse de novo, talvez da próxima vez não sobrevivesse.

Os olhos de Simão brilharam com um lampejo perigoso. Sua voz saiu baixa e ameaçadora:

— Repete isso, se tiver coragem.

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