O olhar cheio de raiva de Clarice parecia divertir Sterling. Ele sorriu de canto, um sorriso que trazia uma mistura de provocação e charme premeditado. Enquanto isso, seu dedo desenhava círculos preguiçosos na perna dela, e sua voz, rouca e carregada de malícia, ecoou:
— Por que está me olhando assim, Clarice? Acha que eu sou bonito?
Era uma provocação descarada, típica de alguém sem vergonha. Clarice, furiosa, cerrou os punhos com força e, sem pensar duas vezes, agarrou a mão dele e deu um beliscão firme, deixando suas unhas afundarem na pele.
"Já somos ex-marido e ex-mulher, e ele ainda tem coragem de me provocar desse jeito? Como eu nunca percebi antes que esse homem era tão sem noção?", Clarice pensou, os olhos faiscando de irritação.
Sterling estreitou os olhos ao sentir a dor. A força que Clarice colocou na mão era suficiente para deixar marcas, e ele não pôde evitar uma careta.
— Você belisca forte, hein! — Ele murmurou, mas, mesmo com a dor, não retirou a mão da perna dela.
Túlio, que estava ao lado, serviu uma tigela de sopa para Clarice e colocou na frente dela. Quando viu o rosto dela ficando vermelho de raiva, achou que era por causa da presença de Sterling. Sem pensar duas vezes, olhou para o neto com desdém e o repreendeu:
— Sterling, coma logo e vá embora! Você está atrapalhando!
Túlio queria apenas ter um jantar tranquilo com Clarice, conversar um pouco. Não conseguia entender como Sterling tinha aparecido de repente. Ele sabia muito bem o quanto Sterling havia magoado Clarice. Não era homem de passar a mão na cabeça do neto, muito menos de defender suas atitudes.
— Vovô, eu sou o seu neto de verdade! Ela é só uma pessoa de fora, e você ainda me trata assim por causa dela? — Sterling retrucou, mas, enquanto falava, ele continuava com as mãos e os pés inquietos debaixo da mesa, provocando Clarice o tempo todo.
No passado, quando Clarice estava ao lado dele, Sterling achava que ela era monótona e irritante. Mas, naquela tarde, enquanto estava sozinho em sua casa gigantesca, sentiu o vazio que ela havia deixado. Sem saber exatamente o motivo, decidiu ir até a mansão de Túlio com a intenção de pedir ajuda para convencer Clarice a voltar. O que ele não esperava era encontrá-la ali, diante dele.
Por um momento, ele pensou que o avô era mesmo parcial. Chamava Clarice para jantar e sequer tinha avisado ao próprio neto. "Ele claramente prefere ela a mim", Sterling pensou, com um sorriso presunçoso.
— Se gosta tanto dela, por que não a traz de volta para a Mansão Davis? Deixe que ela fique aqui cuidando de você.
Ele sabia que, se Clarice voltasse a morar na mansão, ele teria uma desculpa para estar por perto novamente.
Túlio ouviu aquelas palavras e, sem hesitar, bateu com força o garfo na mesa, o som ecoando pela sala.
— Você perdeu completamente a vergonha, Sterling! Como tem coragem de dizer que Clarice deveria cuidar de mim?
Túlio se lembrou de todas as vezes que esteve doente. Havia muitas pessoas na casa, mas ninguém, além de Clarice, se preocupava de verdade com ele. Quando ele sofreu um acidente de carro e ficou dois meses no hospital, foi Clarice quem cuidou dele todos os dias após o trabalho. Até mesmo os documentos dos seus casos de advocacia eram revisados no quarto do hospital.
— Todos acham que sou parcial com Clarice. Mas ela foi a única que realmente me tratou com carinho. E o que você fez? Só conseguiu afastá-la! Agora ela merece viver sua própria vida, encontrar alguém que a ame de verdade. Você deveria se envergonhar de sequer sugerir que ela volte aqui para cuidar de mim!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...