Mahir depositou a xícara de café em cima da mesa e encarou Samira. Ela havia ligado para ele pedindo para se encontrarem em um café no centro da cidade. Eles já estavam sentados há vinte minutos e ela nada dizia, apenas o encarava.
–Para que me chamou? – Mahir perguntou após beber mais um gole de café.
–Bem... Eu queria conversar na verdade.
–Já estamos há vinte minutos aqui e nada foi dito. Sobre o que quer conversar?
–Por que não aceitou a nossa separação? Seria tudo mais fácil.
–Eu vou me casar com você – disse sério – então não precisamos mais falar sobre isso.
–Por que a mudança?
–Por nada. Apenas percebi que era o melhor a se fazer nessa situação. Tem alguma objeção?
–Não... Apenas não entendo porque a mudança repentina. Um dia você queria terminar enquanto em outro esta dizendo que quer casar comigo. Realmente não estou entendendo.
–Não precisa entender. Siga apenas com o cronograma. Nosso noivado será daqui a duas semanas e o casamento há um mês ou dois.
–Certo, mas pense bem antes. Não quero que chegue no casamento e me humilhe dizendo não, na hora do sim.
–Não precisa se preocupar. Quando digo que vou fazer algo, eu faço.
–Certo – desviou o olhar que ele lhe lançava e bebeu o gole de seu cappuccino. – Que tal irmos ao cinema?
–Não posso – levantou-se – tenho um compromisso. Depois nos falamos. - afastou-se dela e foi embora.
–Então é para isso que quer se casar comigo? – se perguntou ao vê-lo se afastar.
***
Assim que chegou em sua empresa, Hassan chamou por Jihad em seu escritório. Colocou a sua pasta ao lado de sua mesa e sorriu ao vê-lo entrar.
–Quero que deixe um dos meus jatos à disposição de Yoon Hee e consiga alguma assistente ou secretaria para ela.
–Sim Senhor – falou anotando – mas quais as especificações que devo procurar para a secretaria?
–Não sei – olhou para o nada e segundos depois sorriu ao se lembrar de algo – Consiga o currículo ou o que quer que seja de Mary, a mulher que foi empregada, ajudante ou algo assim em Londres. Procure saber se ela esta qualificada.
–Sim senhor.
–Faça isso o mais rápido possível. E veja algum presente para o noivado de Mahir. Você tem menos de uma semana.
–Mais o noivado não é daqui a duas semanas alteza?
–É, mas sempre trabalhe com um prazo menor. Isso fará com que tudo ocorra bem.
–Sim.
–Pode ir agora.
Jihad fez uma reverencia e saiu da sala para providenciar tudo o que Hassan havia lhe dito enquanto o seu chefe pegava os relatórios, começando o seu trabalho. Horas depois a sua secretaria entrou em sua sala, com um semblante preocupado.
–O que foi? – Hassan perguntou de mau humor. – estou ocupado.
–Me perdoe, mas não pude fazer nada.
–Como assim?
–A senhorita Lana está ai e deseja vê-lo. Disse que se não a receber fará um escândalo.
–Mande-a entrar – falou sem paciência. Segundos depois ela entrou. Os seus cabelos encontravam-se presos em um coque e vestia um conjunto comportado de saia e blusa, de seda. – A que devo a sua visita?
–Vim te ver – disse sorrindo – mas fiquei, extremamente, decepcionada ao saber que só me recebeu porque disse que faria um escândalo.
–Porque sempre opta pelo caminho mais difícil?
–Como?
–Porque não espera eu ir atrás de você? Estou cansado, estressado e sem paciência para dramas, Lana.
–Apenas isso? – indagou sorrindo – resolvo isso tudo rapidinho – caminhou ate onde ele estava e ficou atrás dele. Colocou as suas mãos sobre seus ombros e começou a massageá-los. – Está melhor? – perguntou sussurrando em seu ouvido.
Hassan não disse nada, apenas murmurou um sim. Fechou os olhos para aproveitar a massagem quando sentiu alguém sentada em seu colo. Abriu os olhos e viu Lana prestes a beijá-lo.
–Você não perde tempo – ele disse afastando-a, fazendo com que ela se levantasse- agradeço a massagem, mas tenho algumas coisas a fazer. Poderia sair agora?
–Mas...
–Lana, eu não quero chegar a esse ponto, mas se você recusar a sair terei que chamar os seguranças.
–Quer dizer que agora que sua esposa voltou eu não presto para você?
–Enquanto ela estava em Londres, eu lhe procurei alguma vez? – perguntou calmamente.
–Não, mas tenho certeza que iria se ela não tivesse voltado.
–Se quer se enganar, não serei eu a acabar com as suas ilusões, mas se me der licença tenho algumas coisas a fazer – disse voltando a sua atenção para os papeis a sua frente.
–Eu vou sair, mas depois não se arrependa – disse indo embora.
–Se descobrir que o ama, lute para ficar com ele. Não queira viver presa a alguém que não ama pelo resto de sua vida. É uma sentença muita dura para uma pessoa.
–Obrigada Mary.
–Por nada.
Sorriram uma para a outra enquanto tomavam seus sorvetes. Yoon Hee a cada minuto que passava ao lado de Mary descobria nela uma amiga fiel e zelosa.
***
Hassan saiu de seu trabalho tarde da noite. Entrou no carro e fechou os olhos, quando os abriu, vinte minutos depois, descobriu estar indo por outro caminho.
–Para onde estamos indo? Deveria estar indo para o palácio – Hassan disse autoritário para o motorista.
–Me perdoe Alteza, mas são ordens da princesa.
–E desde quando ela manda mais do que eu? – perguntou com indignação.
–Sinto muito, mas já estamos chegando.
–Amanha você será um motorista sem emprego se não parar o carro agora.
–A princesa Yoon Hee já me ofereceu um emprego. Como motorista particular dela se o senhor me despedir – disse calmamente.
–Ninguém mais me respeita ou é impressão minha? – falou consigo mesmo ao olhar pela janela – para onde estamos indo afinal de contas?
–Uma surpresa.
–Odeio surpresas.
–Não se preocupe senhor. Tenho certeza que ira gostar – disse com um sorriso malicioso.
–E eu estou com a impressão que vou odiar – disse ao se recostar no carro e fechar os olhos. O carro parou minutos depois em frente a uma de suas propriedades ao redor de Abu-Dhabi. O portão se abriu e o imenso jardim foi visto. As luzes, coloridas, davam um ar festivo ao jardim, mas a casa se sobressaia, pois apenas algumas luzes brancas eram redirecionadas para lá. Hassan desceu do carro e entrou na casa branca, de três andares, usada pela sua família como um local de descanso. Abriu a porta e ficou estático ao ver a cena. Yoon Hee estava parada sorrindo para ele. Ela usava um vestido preto, decotado na parte frontal com uma fenda na lateral de sua coxa, estava usando saltos finos pretos e algumas jóias. Seus cabelos estavam soltos dando-lhe uma angelical, contrastando com a sua sensualidade evidente.
–Demorou – ela disse caminhando em sua direção.
–O que está acontecendo aqui? – ele perguntou ao encará-la.
–Não é nítido?- sorriu.
–Não.
–Você foi seqüestrado – piscou para ele e selou os seus lábios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma Mulher para o Sheik
Não tem continuação essa história?...