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Uma Razão para Viver romance Capítulo 2

Capítulo 2

Ísis se levantou e percorreu a sala com o olhar curioso. Era espaçosa, bem decorada, com móveis que equilibravam o rústico e o sofisticado.

Ao se aproximar da lareira de pedra, imaginou as noites frias que ainda resistiam ao fim do inverno. Um bom vinho, uma manta, talvez um livro... ou outra companhia. Sorriu, mordendo de leve o canto do lábio. Estava se permitindo imaginar.

Foi então que reparou em uma moldura elegante sobre a estante lateral. Uma fotografia. Ela se aproximou, como se algo naquela imagem chamasse por ela.

Na placa discreta abaixo da moldura, lia-se: Leon Whitmore.

O nome soava firme, inglês demais, quase aristocrático. Mas foi o olhar dele que a prendeu, olhos verdes intensos, penetrantes. O maxilar forte, os traços viris, e o corpo parcialmente visível na imagem revelavam um homem seguro, poderoso… e perigosamente atraente.

Ísis desviou o olhar, mas sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Já fazia tempo que uma simples imagem não mexia tanto com seus sentidos. Era só uma foto, e ainda assim… havia algo ali. Algo que ultrapassava o papel.

Voltou a encará-lo, agora em carne e osso, parado perto da janela, com os olhos fixos no nada ou em pensamentos que ela jamais saberia decifrar. O mesmo olhar da foto, agora real, tão vivo quanto inquietante.

Ela ficou se perguntando como ele seria em seus dias normais.

Será que sorria com facilidade? Ou será que aquele semblante sério era parte de quem ele era? Usaria roupas simples em casa ou continuaria elegante até para ir até a cozinha? Teria manias, vícios pequenos, como mexer nos cabelos ao pensar, ou andar pela casa descalço enquanto falava ao telefone?

Ela não sabia. Mas queria saber.

Queria saber se aquele homem tão fechado também sabia ser leve. Se seus olhos, tão marcantes, também sabiam fechar-se para um beijo. Se sua voz, era grave, pausada, ou se havia nela algum vestígio de riso escondido.

Talvez fosse só curiosidade. Ou talvez fosse o começo de um desejo que ela ainda não queria admitir.

Ísis se aproximou novamente. Os passos eram quase silenciosos sobre o tapete grosso da sala. Agachou-se à frente dele, que continuava absorto, como se estivesse em outro mundo. Com delicadeza, sua mão se estendeu, hesitante no ar por um instante, antes de pousar suavemente sobre a dele.

A pele dele era quente, macia. A mão, grande. A dela pareceu minúscula sobre aquela imensidão masculina.

Perto, ela pôde observar melhor. Mesmo sentado, ele impunha presença. As pernas longas, os ombros largos. Devia ter, no mínimo, um metro e noventa, talvez até mais. Um homem que ocupava espaço com naturalidade, que chamava atenção mesmo em silêncio.

— Você é enorme... — murmurou, sem pensar, numa voz baixa, quase sussurrada. E sensual.

Tão sensual que ela mesma se assustou.

Os olhos dele se fecharam, como se aquela frase tivesse tocado algo profundo dentro dele. Ísis ficou paralisada, surpresa com a própria ousadia e mais ainda com a reação dele.

Antes que qualquer coisa acontecesse, a porta se abriu repentinamente.

— Com licença — disse a enfermeira, entrando com a prancheta na mão. — Vim verificar a medicação.

Ísis se afastou de imediato, o rosto quente, o coração disparado. Como se tivesse sido flagrada em um momento íntimo demais.

Ele manteve os olhos fechados durante todo o tempo. Não disse nada, não se moveu, mas Ísis tinha certeza de que ele estava ouvindo tudo.

A enfermeira, experiente e discreta, entrou em silêncio, focando no que precisava fazer. Tomou a temperatura, verificou os sinais, mediu a glicose e trocou a medicação no soro com movimentos precisos.

Depois de anotar as informações na prancheta, lançou um olhar curioso para Ísis e, num tom carinhoso e leve, perguntou:

— Você vai ficar com ele o dia todo?

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