Capítulo 3
Os olhos dele não reagiram, mas ela sentia... sentia que ele estava ali. Presente. Não em palavras, mas no modo como seu peito subia e descia devagar.
Ela apertou a mão dele com carinho, sem pressa, e encostou-se ao braço da poltrona, o olhar agora fixo na tela da televisão enquanto o filme começava. A trilha sonora preencheu o ambiente com uma vibração baixa e envolvente. Como se estivessem no cinema, só que menos intenso.
De vez em quando, ela olhava para ele de lado. O rosto sério, forte mesmo em repouso, a barba por fazer, os cílios espessos... Ele é tão bonito.
Ela se aproximou um pouco mais. O sofá não era grande, e o espaço entre eles ficou quase inexistente.
— Eu sei que você está aí... — sussurrou, encostando levemente a cabeça no ombro dele, mesmo sabendo que ele talvez não respondesse. — E eu vou continuar aqui, tá? Mesmo que não diga nada. Mesmo que não me olhe. Eu fico.
Não era só a temperatura da Inglaterra que a fazia tremer naquela noite.
Era ele.
No fim do filme, Ísis bocejou e deixou a cabeça recostar devagar no encosto da poltrona. Seus olhos se fecharam sem resistência.
Quando acordou, a sala estava em silêncio e a televisão desligada. Ela se sentou rápido, confusa, o coração acelerado.
— Desculpe se a despertei — disse uma voz suave.
Ísis se virou e viu uma das funcionárias colocando uma bandeja sobre a mesinha de centro.
— Trouxe um chá... Espero que goste.
— Obrigada... — respondeu, ainda meio sonolenta. — Onde está o senhor Leon?
— A enfermeira o levou para o quarto. Deve tê-lo trocado, e como já passa das nove, provavelmente ele ficará por lá agora.
Ísis assentiu, olhando em direção ao corredor. Por alguma razão, sentiu um vazio estranho ao perceber que ele não estava mais ali.
Ísis levou a xícara aos lábios, mas o chá mal teve gosto. Havia algo inquietante no silêncio da sala. A ausência dele.
Sem pensar muito, ela se levantou e caminhou devagar até o corredor. Os quadros nas paredes pareciam observá-la, e o tapete abafava o som dos seus passos. Parou diante da porta entreaberta do quarto de Leon. Caio havia levado ela lá mais cedo.
Hesitou.
A luz baixa escapava por uma fresta da porta. Ela apoiou a mão na porta, quase a fechando de novo, mas algo a fez empurrá-la levemente.
Leon estava deitado, os lençóis cobrindo até a cintura. O peito subia e descia num ritmo tranquilo. A enfermeira não estava mais ali.
Ísis entrou, devagar. O quarto era amplo e elegante. Mas não parecia ser o quarto de um homem como ele. Deve ser quarto de hóspedes.
Ela ficou em pé ao lado da cama por alguns segundos, observando-o. Havia algo de vulnerável e ao mesmo tempo hipnotizante naquele homem.
Então ele abriu os olhos.
Ela permaneceu em pé ao lado da cama por alguns segundos, observando-o em silêncio. Havia algo de vulnerável, mas ao mesmo tempo profundamente hipnotizante naquele homem.
Ela sentou-se lentamente na beira da cama, com o coração acelerado. Com delicadeza, levou a mão ao rosto dele e o fez virar um pouco para ela.
— Leon... — murmurou, com tristeza na voz.

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