O jantar transcorria num clima agradável, algo raro na mansão Vieira.
A Velha Senhora sentia-se leve. A casa cheia, a família reunida.
Ela observava Amélia. A moça era educada, carinhosa com as crianças e parecia ter uma espinha dorsal firme.
Era a candidata perfeita.
— Afonso — disse a matriarca, limpando a boca com o guardanapo de linho. — O tempo voa. As oportunidades não voltam. Agarre quem está na sua frente antes que seja tarde.
Era uma indireta tão sutil quanto um elefante na sala.
Afonso, sem perder a compostura, respondeu:
— Eu sei, vovó. O problema é que tem gente que parece não enxergar o que está bem diante do nariz. A senhora conhece algum oftalmologista bom?
Amélia engasgou com a água.
Ele estava falando dela?
Melhor fingir demência.
Lucas, com a boca suja de molho, interveio:
— A tia Amélia enxerga muito bem! E se não enxergar, ela se cura, porque ela é a melhor médica do mundo!
Todos na mesa olharam para Amélia com expectativa.
Amélia sentiu o suor frio descer pelas costas.
Era pior que prova oral na faculdade.
Vitória piscou para ela:
— Amélia, pode testar. Se não gostar do produto, a gente aceita devolução sem burocracia!
Lucas completou:
— Casa com meu pai, tia! Se der errado, no divórcio você leva metade da fortuna! É lucro certo!


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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